Thursday, April 18, 2013

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A mulher saia com suas frutas da igreja. Ainda ia acender uma vela acreditando que assim deus perdoaria seus pecados. Não posso dizer se perdoou ou não.
Encontrava na igreja o refugo de sua solidão pois estava envelhecendo e os amigos haviam sumido ou morrido.
Andava com dificuldade e enquanto acendia sua vela um menor de idade usando chinelos a furtou e correu tão rapido que em sua idade nem adiantava tentar correr. As frutas eram para oferecer em penitencia aos mendigos por todas as suas maldades, mas acredito que deus tinha planos mais imediatos.
Anderson Clayton podia ser velocista. Na sua favela ninguém corria mais do que ele, por isso foi escolhido olheiro do tráfico , porém fumou maconha da carga sem pagar e foi obrigado a sair da fevela pra não virar carne assada. Estava na rua e não comia a dois dias , um cheirando tiner o dia inteiro e o outro apagado no sono como se fosse uma bela adormecida das ruas. Ao constatar que só haviam frutas na sacola , comeu um Caqui e jogou o resto fora. Saiu perambulando feito um zumbi , de volta a igreja , pois velhos não sabem correr. Ao voltar foi reconhecido pela boa velhinha que chamou o brigadiano. O moleque , com uma ressaca absurda e completamente confuso, com fome e sem rumo andava ainda pelas imediações sem se preocupar com o carro de polícia que andava devagar ao seu lado.
Foi parado.
Anderson Clayton que era gago , cuja mãe alcoólatra o agredia sempre, a ponto dos disturbios psicológicos do menino o deixarem quase mudo, não conseguia formar uma frase que fosse do entendimento racional de Antenor de Moura Borges, Policial Militar de de trinta e quatro anois de idade,  oito de polícia e três de corrupção e ao ser alertado pela doce fiel que haviam apenas frutas nos pertences roubados, e ainda não entendendo as palavras do menor , apenas fez o que qualquer policial faria com um preto , pobre, mal vestido.
Deu-lhe um soco na boca e depois um telefone. O jogou na viatura onde Carlos Antonio Vieira Gomes ria escandalosamente.
Anderon Clayton no banco de traz, deitava como um feto , em panico, e os policiais faziam perguntas que pra ele eram apenas sons perdidos no ar. No telefone só ouvia zumbidos.
Desceram no alto da boa vista, e começou a sessão de pancadas.
Quando enjoaram , com medo de matar o moleque o ameaçaram de morte caso reportasse o fato as autoridades e Gomes ainda deu-lhe uma escarrada.
Anderson Clayton não pensava em nada. queria dormir e não conseguia , apenas ficou ali , esperando a dor passar.
Um outro morador de rua o retirou dali.
O levou mais pra cima do alto e encontrou uma trilha.
Andeson Clayton acordou por milagre quando o velho masturbava sua bengala e passava a mão na sua bunda.
Ele levantou e fez o que sabia de melhor , correu.
Correu pelado pelas ruas desertas e com muitas dores.
Andava pelado sem saber pra onde ir, só conhecia o centro da cidade e pensou em pegar um ônibus.
Chegando no ponto num ponto de ônibus ele encontrou muitas pessoas e gaguejando pediu ajuda.
Eram bem vestidos , jovens , todos com bolsas nas mãos e bonés.
Na hora Anderson Clayton foi imobilizado.
Sua roupa foi tirada e de novo ele foi levado a uma trilha.
Foi currado por cinco homens com idades entre 20 e 30 anos.
A hemorragia foi tão grande que o sangue manchava a grama.
Depois do trabalho feito os homens foram embora.
O corpo de Anderson Clayton foi encontrado três dias depois e seu cú arrombado foi filmado e exibido na TV. Sua mãe que o abandonou e o agredia constantemente chorou como se o mundo tivesse acabado.
A velha católica Linda Evangelista Massari, que não perdia jamais esse programa reconheceu a foto do menor e disse:
- Ta vendo, foi o menino que me assaltou. Que pena essas crianças, não tem limites e acabam morrendo, os policiais também os soltam com essa lei que os beneficia. Assim acabam morrendo mesmo, e é bem feito pra esses pais que não sabem criar o filhos, vai pra puta que o pariu!

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