Inácio
O dia amenhcia. Aproximadamente seis da manhã , um pouco antes...
João Inácio corria. Morava longe e algumas vezes ao chegar atrasado tinha sido repreendido. Morava sozinho e tinha saudades do seu bom e velho pernambuco.
Do peixe frito e da conversa fora a beira do mar. E que morenas caminhavam na praia. A noite o luar era sua tela e como no ultimo capítulo da novela ele tinha um final feliz.
Aqui não , dois anos na fabrica até que tava bom. Um salário , uma casa uma TV e uma tristeza. Nunca conseguia juntar o dinheiro de sua volta pois a vida lhe consumia. Não aguentava mais. Os canos de onibus soltando carbono em seu nariz e ao subir o incomodo de viajar em pé num coletivo lotado.
Três horas de terror dentro do onibus. As ruas do Jacaré não são muito agradaveis ou convidativas.
São barracos de um lado e conjuntos habitacionais do outro. O contraste da rua dos bancos que termina nun rio podre que sempre transborda em temporais e que além de fazer as pessoas sem saneamento perderem tudo, as vezes até a vida com os males do esgoto, fazia também com que a rua alagasse e tornasse a volta de João Inácio ainda mais demorada. Mas era dia de trabalho.
Cinquenta caixas prontas em uma hora, essa era a meta de Joãoque com 8 horas de trabalho as vezes não conseguia fazer 400 caixas. Ai ficava dez horas as vezes doze num enorme galpão quase sem janelas num calor de 50 graus com a companhia de um radinho. Ouviam uma radio popular escolhida pela maioria e João não gostava. Um dos programas era sobre pessoas que tinham problemas e ligavam pra lá afim de obter um conselho dos ouvintes.
Os conselhos eram sempre ignorancias , reflexo da educação do nosso país. Os assuntos as vezes seríssimos eram debatidos por um locutor de radio e um analfabeto. Muita gente deve ter sido ajudada.
Tinha um que fazia esquete de humor sobre homicídios horroros também. Com esse João Inácio conseguia se distrair. Mas o pior e que durava três horas era o do padre que cantava e rebolava músicas exaltando a Jesus. Ele podia até se canditar a passista de carnaval.
Vendeu um milhão de discos com a música "Jororo Jo Jo, um Jesus Cristo Me Pegou" que era uma música rápida com só isso na letra e algumas sanfonas. Ele repetia a música oitenta mil vezes e dava mensagens de fé, além de ouvir também reclamações da vida dos ouvintes que pediam a ele que intercedesse a Deus por um milagre. Muitos devem ter sido salvos por este programa também.
O suor molhava tanto as caixas que as vezes João Inácio molhava algumas caixas e então colocava elas num lugar escondido para secar. Aurilene que era a única gostosinha do trabalho e tinha por conseguinte o trabalho mais fácil de apenas contar as caixas acabou vendo essa pilha de caixas suadas. Ela percebendo isso foi até Sepulveda o chefe de João e disse que ele estava roubando as caixas.
Sepulveda não conversou:
- Que porra é essa João? Eu te emprego e tú me sacaneia seu fedorento?
- Eu?
- É pensa que eu não sei das caixas que você anda escondendo?
- Eu não senhor, eu apenas coloquei aqui pra secar porque como o senhor não consertou os ventiladores a gente sua muito e acaba molhando as caixas, se deixa-las armadas pode estragar.
- É, e eu sou uma dançarina de conga que dança com uma banana de metal dentro da minha bunda né?
Porra João tú ta de sacanagem , ta demitido fora da minha fábrica paraíba filho da puta.
João saiu.
Saiu sem receber nada.
Sem um carinho e pensando no que fazer pois não tinha ninguém aqui no rio.
Tava até bem de grana, duraria uns 3 meses.
Lembrou da praia, das conversas a beira do mar e da simplicidade das ondas quebrando.
O sol na cabeça, o futebol com os amigos e coco gelado.
E as morenas, que morenas...
Mas João Inácio realizou seu sonho.
Pegou todo o seu dinheiro, comprou uma cachaça e pegou um onibus lotado até a praia de Copacabana, onde reside a três meses. Nesse periodo catando lixo arrumou grana pra quatro meses. Conseguiria cinco se não bebesse cachaça o dia inteiro e não tomasse banho e lavasse sua roupa no posto 6.
Assim João Inácio era feliz, sem dinheiro, sem casa e sem crack.
João Inácio corria. Morava longe e algumas vezes ao chegar atrasado tinha sido repreendido. Morava sozinho e tinha saudades do seu bom e velho pernambuco.
Do peixe frito e da conversa fora a beira do mar. E que morenas caminhavam na praia. A noite o luar era sua tela e como no ultimo capítulo da novela ele tinha um final feliz.
Aqui não , dois anos na fabrica até que tava bom. Um salário , uma casa uma TV e uma tristeza. Nunca conseguia juntar o dinheiro de sua volta pois a vida lhe consumia. Não aguentava mais. Os canos de onibus soltando carbono em seu nariz e ao subir o incomodo de viajar em pé num coletivo lotado.
Três horas de terror dentro do onibus. As ruas do Jacaré não são muito agradaveis ou convidativas.
São barracos de um lado e conjuntos habitacionais do outro. O contraste da rua dos bancos que termina nun rio podre que sempre transborda em temporais e que além de fazer as pessoas sem saneamento perderem tudo, as vezes até a vida com os males do esgoto, fazia também com que a rua alagasse e tornasse a volta de João Inácio ainda mais demorada. Mas era dia de trabalho.
Cinquenta caixas prontas em uma hora, essa era a meta de Joãoque com 8 horas de trabalho as vezes não conseguia fazer 400 caixas. Ai ficava dez horas as vezes doze num enorme galpão quase sem janelas num calor de 50 graus com a companhia de um radinho. Ouviam uma radio popular escolhida pela maioria e João não gostava. Um dos programas era sobre pessoas que tinham problemas e ligavam pra lá afim de obter um conselho dos ouvintes.
Os conselhos eram sempre ignorancias , reflexo da educação do nosso país. Os assuntos as vezes seríssimos eram debatidos por um locutor de radio e um analfabeto. Muita gente deve ter sido ajudada.
Tinha um que fazia esquete de humor sobre homicídios horroros também. Com esse João Inácio conseguia se distrair. Mas o pior e que durava três horas era o do padre que cantava e rebolava músicas exaltando a Jesus. Ele podia até se canditar a passista de carnaval.
Vendeu um milhão de discos com a música "Jororo Jo Jo, um Jesus Cristo Me Pegou" que era uma música rápida com só isso na letra e algumas sanfonas. Ele repetia a música oitenta mil vezes e dava mensagens de fé, além de ouvir também reclamações da vida dos ouvintes que pediam a ele que intercedesse a Deus por um milagre. Muitos devem ter sido salvos por este programa também.
O suor molhava tanto as caixas que as vezes João Inácio molhava algumas caixas e então colocava elas num lugar escondido para secar. Aurilene que era a única gostosinha do trabalho e tinha por conseguinte o trabalho mais fácil de apenas contar as caixas acabou vendo essa pilha de caixas suadas. Ela percebendo isso foi até Sepulveda o chefe de João e disse que ele estava roubando as caixas.
Sepulveda não conversou:
- Que porra é essa João? Eu te emprego e tú me sacaneia seu fedorento?
- Eu?
- É pensa que eu não sei das caixas que você anda escondendo?
- Eu não senhor, eu apenas coloquei aqui pra secar porque como o senhor não consertou os ventiladores a gente sua muito e acaba molhando as caixas, se deixa-las armadas pode estragar.
- É, e eu sou uma dançarina de conga que dança com uma banana de metal dentro da minha bunda né?
Porra João tú ta de sacanagem , ta demitido fora da minha fábrica paraíba filho da puta.
João saiu.
Saiu sem receber nada.
Sem um carinho e pensando no que fazer pois não tinha ninguém aqui no rio.
Tava até bem de grana, duraria uns 3 meses.
Lembrou da praia, das conversas a beira do mar e da simplicidade das ondas quebrando.
O sol na cabeça, o futebol com os amigos e coco gelado.
E as morenas, que morenas...
Mas João Inácio realizou seu sonho.
Pegou todo o seu dinheiro, comprou uma cachaça e pegou um onibus lotado até a praia de Copacabana, onde reside a três meses. Nesse periodo catando lixo arrumou grana pra quatro meses. Conseguiria cinco se não bebesse cachaça o dia inteiro e não tomasse banho e lavasse sua roupa no posto 6.
Assim João Inácio era feliz, sem dinheiro, sem casa e sem crack.

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