Reluzente
Foi num dia de verão , um calor desconcertante. O centro da cidade suava , as pessoas se irritavam facil. Eu vi a corrida. Um executivo já enlouquecido com o calor do seu terno contra uma mulher de aparencia suburbana saindo de um taxi repleta de pacotes de compra. Era um segundo economizado por ele e o calor fazendo com que a mulher quisesse logo sair do carro. A porta o acertou nos bagos, ele era alto, a mulher ria e ele se indignava bastante. Eu continuei andando, via os bares cheios de gente almoçando e pra aguentar a lua tomavam uma cerveja. Também vi num desses bares um cidadão que encontrou o seu chefe e ao consumir o alcool foi pego no flagra e demitido. Vi que ele desesperado, devia precisar muito do trabalho, jogou uma cadeira em sua direção , mas obra de deus atingiu uma criança que passava juntamente com sua mãe. A discussão foi geral , os nervos a flor da pele e o calor derretendo nossa face triste e cansada. Vi o transito , as buzinas e o cheiro fétido dos onibus, ao olhar os predios de baixo pra cima me sentia tonto, alguém escondeu o céu e isso mexe comigo. Começo a passar mal também. Camelôs berravam no meu ouvido , os produtos e seus cartazes feitos em cores fortes, os preços que nada me diziam , as vitrines cheias de coisas que usaria poucas vezes , que me prenderiam a elas. Não me interessavam os preços , as roupas ou as pessoas.
O rapa não dava mole, chegava batendo , as pessoas corriam com seus produtos e caixotes. Nas extremidades comiam os trabalhadores salgados entupidos de gordura. Ainda se viam mendigos. Olhando um deles percebi que estava quase morto , o cara suava muito e a cachaça havia feito ele desmaiar. Já havia acontecido isso comigo , mas eu deixei ele lá, não tinha nada haver com isso , eu era só mais um ou até menos. Um gringo que engraxava seus sapatos teve sua carteira surrupiada por um mão leve. O menino corria bastante. Podia fazer atletismo e disputar alguma coisa. Ganhar já é difícil. não creio que conseguiria. Os medianos , ajudados por medianos que tem dinheiro não deixam os genios sobressairem. Se bem que a educação e cultura desse mundo sedado torna impossível a aparição de novos fora de séries.
O calor também. As pessoas xingavam o motorista de onibus, acusavam-no de lento, de murrinha. Alguns o chamavam de filho da puta. Ele estava zonzo de calor e cansaço , nem respondia. Passei na roleta escolhi o unico lugar que a havia ao lado de um paraíba dorminhoco ou morto , sentei e descansei. me olhavam feio pois eu fiz o onibus parar , eu e uma velha , mas ninguém olhava feio pra velha. A vida era como a televisão só que nos intervalos. Olhava pra janela do onibus parado. Era muito difícil se manter normal diante do calor intenso. Não parava de entrar gente, ninguém estava satisfeito acho. Em estava me recuperando , não estava na janela mas podia sozinho tentar me desligar, porém mais uma vez , na central o cidadão entra gritando pedindo ajuda e ditando o preço de seus doces, muitos baratos, mas ao passar com aquele ferrinho com ganchos que carrega os doces, raspou um dos ganchos num braço de uma gorda suada contaminando os doces e enervando ainda a mais a senhora que já se martirizava com o calor. O sol nessa hora pareceu ainda mais quente, mandou-o tomar no cú, este acusou-a de piranha exaltou o peso dela e a confusão novamente começou. Os funkeiros do onibus incentivavam a briga e os paraíbas trabalhadores riam como se estivessem vendo a TV.
A mulher desfiou a mão na cara do sujeito que caiu com os doces e as crianças do funk que não estavam ainda na DPCA saquearam seus doces , o homem pos-se a chorar e a mulher encostou-se de novo na janela com um pacote de amendoim roubado. O companheiro que dividia o lugar comigo comentou o fato comigo e eu me limitei a balançar cabeça, outras vezes balancei a cabeça pelos solavancos do coletivo. Mais palavrões na Praça da Bandeira onde estudantes que tentavam pegar o onibus tiveram seu direito a gratuidade ignorado, porém os passageiros massacrados pelo calor e cansaço comemoravam muito. Não havia o relaxar, havia ansiedade , a vontade de sair dali desesperadamente, fui o que fiz, saltei na Mariz e Barros e sai correndo independente do clima desértico e rapidamente encontrei meu lar na São Francisco Xavier. Não sem antes refletir sobre aquelas pessoas, sobre a maioria oprimida e vandalizada. Sobre o caos do mundo, a insensibilidade e o descaso. Sobre a óbvia falta de força que existe nessas pessoas que vivem tal realidade. Semana que vem o Jonas conserta o meu ar condicionado e e talvez eu não me sensibilize tanto.
Não tenho tempo de pensar nessa loucura e eles também não. Pensar demora e o mundo não para. A gente paga e eles pensam por nós. A gente ri porque tem que rir e chora porque tem que chorar e a gente vive porque tem que viver. Mas ainda ainda podemos escolher entre Arno e Brastemp
O rapa não dava mole, chegava batendo , as pessoas corriam com seus produtos e caixotes. Nas extremidades comiam os trabalhadores salgados entupidos de gordura. Ainda se viam mendigos. Olhando um deles percebi que estava quase morto , o cara suava muito e a cachaça havia feito ele desmaiar. Já havia acontecido isso comigo , mas eu deixei ele lá, não tinha nada haver com isso , eu era só mais um ou até menos. Um gringo que engraxava seus sapatos teve sua carteira surrupiada por um mão leve. O menino corria bastante. Podia fazer atletismo e disputar alguma coisa. Ganhar já é difícil. não creio que conseguiria. Os medianos , ajudados por medianos que tem dinheiro não deixam os genios sobressairem. Se bem que a educação e cultura desse mundo sedado torna impossível a aparição de novos fora de séries.
O calor também. As pessoas xingavam o motorista de onibus, acusavam-no de lento, de murrinha. Alguns o chamavam de filho da puta. Ele estava zonzo de calor e cansaço , nem respondia. Passei na roleta escolhi o unico lugar que a havia ao lado de um paraíba dorminhoco ou morto , sentei e descansei. me olhavam feio pois eu fiz o onibus parar , eu e uma velha , mas ninguém olhava feio pra velha. A vida era como a televisão só que nos intervalos. Olhava pra janela do onibus parado. Era muito difícil se manter normal diante do calor intenso. Não parava de entrar gente, ninguém estava satisfeito acho. Em estava me recuperando , não estava na janela mas podia sozinho tentar me desligar, porém mais uma vez , na central o cidadão entra gritando pedindo ajuda e ditando o preço de seus doces, muitos baratos, mas ao passar com aquele ferrinho com ganchos que carrega os doces, raspou um dos ganchos num braço de uma gorda suada contaminando os doces e enervando ainda a mais a senhora que já se martirizava com o calor. O sol nessa hora pareceu ainda mais quente, mandou-o tomar no cú, este acusou-a de piranha exaltou o peso dela e a confusão novamente começou. Os funkeiros do onibus incentivavam a briga e os paraíbas trabalhadores riam como se estivessem vendo a TV.
A mulher desfiou a mão na cara do sujeito que caiu com os doces e as crianças do funk que não estavam ainda na DPCA saquearam seus doces , o homem pos-se a chorar e a mulher encostou-se de novo na janela com um pacote de amendoim roubado. O companheiro que dividia o lugar comigo comentou o fato comigo e eu me limitei a balançar cabeça, outras vezes balancei a cabeça pelos solavancos do coletivo. Mais palavrões na Praça da Bandeira onde estudantes que tentavam pegar o onibus tiveram seu direito a gratuidade ignorado, porém os passageiros massacrados pelo calor e cansaço comemoravam muito. Não havia o relaxar, havia ansiedade , a vontade de sair dali desesperadamente, fui o que fiz, saltei na Mariz e Barros e sai correndo independente do clima desértico e rapidamente encontrei meu lar na São Francisco Xavier. Não sem antes refletir sobre aquelas pessoas, sobre a maioria oprimida e vandalizada. Sobre o caos do mundo, a insensibilidade e o descaso. Sobre a óbvia falta de força que existe nessas pessoas que vivem tal realidade. Semana que vem o Jonas conserta o meu ar condicionado e e talvez eu não me sensibilize tanto.
Não tenho tempo de pensar nessa loucura e eles também não. Pensar demora e o mundo não para. A gente paga e eles pensam por nós. A gente ri porque tem que rir e chora porque tem que chorar e a gente vive porque tem que viver. Mas ainda ainda podemos escolher entre Arno e Brastemp

2 Comments:
Eu fico com ventilado, o ar vai ficar apertado pra pagar no fim do mês kkkk
De
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