Friday, May 20, 2011

Man

E saio , sempre saio
Estão todos falando. Alguns berram.
Outros falam sem abrir a boca.
Eu nada falo mas tb não escuto , são informações diferentes das que eu posso entender.
O céu escurece e clareia.
Os onibus passam te jogando vento.
Vento preto que te faz tossir.
Vento legalizado.
Os homens e suas pastas.
Suas belas gravatas.
Seu seguro comportamento.
Sua irritante certeza.
E ainda estão todos falando. com os olhos arregalados, andando em galhos como macacos. Caçando sempre.
Cagando nas arvores.
Voando na lama.
Sujos e Calorentos.
Todos e seus pertences.
Seus valores.
O tempo nunca passa de verdade. Quando vc caminha sem olhar para os lados. Quando vc tenta achar um sentido nisso tudo. No homem barbudo, na vala fedorenta, no chão de asfalto.
Deixam ver o fundos dos seus dentes.
Sorriem por nada.
A comida é barata.
Meu saber não é nada.
Continuam dizendo.
e eu apenas penso.
Porra e aquele disco do focus de 1973.
Porra.
Eu sempre estou onde não quero e não posso estar. Mas é o único modo de se estar em algum lugar.
Voce precisa babar perdigotos frente ao nada , o imenso e infinito nada que vem depois do seu lugar seguro.
A chuva de rosas.
O espelho sempre quebrado.
A sua fraca e pequena auto-imagem.
A sensação de que não é melhor que todo mundo.
E a sensação de que não lhe é permitido ousar em nada.
A diferença é mal vista.
Eles vem correndo pelo escuro onde você se permite parar de pensar.
Te embrulham te jogam chocolate e te vendem no mercado.
Voce fica lá observando ...
- Meu Deus! Como falam!

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