Shylock
Acordo pra mais um dia. Juro que as vezes preferia não acordar. Preferiria o sono eterno ao marasmo que toma conta de mim. Minha vontade excessiva de não fazer absolutamente nada a não ser esquecer que a vida e suas nuances existe vai me guiando em prol de uma loucura semi-completa. Mas ainda consigo me levantar , segurando nas paredes , pra elas não cairem em cima de mim. Precisava de um emprego mas onde tinha ido a minha coragem? A minha força de vontade? Precisava resgatar minha inteligencia quase suprimida pela tristeza constante. Precisava agir.
Peguei a minha velha pasta de currículuns e fui ao centro entrega-los, vendendo a minha alma, trocando os meus sonhos por algumas migalhas por mes. Porém ,eu precisava viver. A sobrevida ia durar para sempre se eu não me esforçasse para pelo menos sair daqui. Desse mundo de trevas e ilusões, que segue em enganando e dominandoa minha existencia. Mas uma vez o coletivo era lotado de pessoas mal-humoradas. Dava pra sentir o cheiro de frustração no ar. Do motorista ao menino sem sapatos que dormia no último banco. Todos pareciam ter um semblante cansado. O transito é brutal , os malucos de tão mal humorados não paravam de buzinar, eu sentia-me quase despreparado pra isso tudo , na verdade, esse caos urbano era demais pra mim. Eu tinha medo disso tudo , dessa imensidão, por mim , ficaria dentro do meu quarto desviando da dor , da fome, da raiva e da falta de civilidade que vemos , cada vez mais , o fenótipo do estressado raivoso vai se proliferando. Saltei na Uruguaiana e andando cheguei na Rua dos Andradas. Acendi um cigarro e esprei o horário da minha entrevista, era mais uma tentaiva de trabalhar como telemarketing , o que pra mim era até de certa forma conveniente, um emprego facil, que te torna ocupado e na medida do possível era até suportavel. Via as pessoas. Pra mim todas melhores e mais confiantes que eu. Todos pareciam saber exatamente o que fazer ali. Eu esperava calado , evitando contatos e visto como estranho como sempre. Eu tinha medo até da mediocridade. Nem mediano eu achava ter condições de ser, mas eu precisava fazer alguma coisa. Quando chegaram os examinadores mandaram-nos ler a seguinte frase:
- O funcionário teve problemas com o registro.
Muitos ali não pronunciavam um portugues suficiente bom. Eu observava com tristeza as pessoas nervosas e tendo que passar por esse constrangimento, por não terem tido condições de aprender, por culpa do estado , da desilgualdade ou delas mesmas, era torturador ver isso.. Ouvia coisas como rezistro e pobrema. Via que muitos ali como eu estavam também inseguros e desesperados.Dessa prova passei juntamente com umas dez pessoas. A maioria delas meninas que aparentemente tinham uma boa condição financeira mas estavam ali porque o pai milionário obrigou. Outros não estavam preocupados por já conehciam o pessoal do RH e sabiam que iam ser encaminhados. Na segunda prova, esta escrita, tinhamos que responder questões primárias de matemática portugues e conhecimentos gerais. Me senti confiante até. Tenho a total certeza de que acertei a prova inteira, e eu e qualquer garoto de 12 anos, ou um macaco treinado. Mas dessa prova só passaram uma das meninas bem vestidas fantasiadas de Lady Gaga, eu, um negrão muito preucupado também e os que já sabiam que iam passar. No terceiro exame, uma redação o negrão saiu , visivelmente arrasado e eu consegui passar. Ao final houve uma dinamica, e no fim dela me disseram que eu não tinha o perfil da empresa mas que tinha ido bem nos exames e eles me ligariam para um outro produto. Pude apurar que passaram os tres que já sabiam que iam passar e que eram cumprimentados por seus amigos examinadores. Saí de lá , mas não me entristeci. Já estava tão acostumado que as lágrimas secaram e não conseguia sentir mais nada. Tinha 10 reias ainda e resolvi tomar uma cerveja e comer um pastel. Ao terminar peguei o transito podre da volta pra Tijuca e desliguei meu cérebro novamente. Em casa, o disco Wish Your Here do Pink Floyd fez com que eu ainda me divertisse. Amanhã seria um novo dia para a frustração , conseguindo um emprego ou permanecendo na inexistencia. O que aparecer eu estou aceitando, pois já não tenho esperanças com relação a nada. Fui ao mercado, comprei um vinho e dividi com ele o nada que eu tinha a oferecer.
Peguei a minha velha pasta de currículuns e fui ao centro entrega-los, vendendo a minha alma, trocando os meus sonhos por algumas migalhas por mes. Porém ,eu precisava viver. A sobrevida ia durar para sempre se eu não me esforçasse para pelo menos sair daqui. Desse mundo de trevas e ilusões, que segue em enganando e dominandoa minha existencia. Mas uma vez o coletivo era lotado de pessoas mal-humoradas. Dava pra sentir o cheiro de frustração no ar. Do motorista ao menino sem sapatos que dormia no último banco. Todos pareciam ter um semblante cansado. O transito é brutal , os malucos de tão mal humorados não paravam de buzinar, eu sentia-me quase despreparado pra isso tudo , na verdade, esse caos urbano era demais pra mim. Eu tinha medo disso tudo , dessa imensidão, por mim , ficaria dentro do meu quarto desviando da dor , da fome, da raiva e da falta de civilidade que vemos , cada vez mais , o fenótipo do estressado raivoso vai se proliferando. Saltei na Uruguaiana e andando cheguei na Rua dos Andradas. Acendi um cigarro e esprei o horário da minha entrevista, era mais uma tentaiva de trabalhar como telemarketing , o que pra mim era até de certa forma conveniente, um emprego facil, que te torna ocupado e na medida do possível era até suportavel. Via as pessoas. Pra mim todas melhores e mais confiantes que eu. Todos pareciam saber exatamente o que fazer ali. Eu esperava calado , evitando contatos e visto como estranho como sempre. Eu tinha medo até da mediocridade. Nem mediano eu achava ter condições de ser, mas eu precisava fazer alguma coisa. Quando chegaram os examinadores mandaram-nos ler a seguinte frase:
- O funcionário teve problemas com o registro.
Muitos ali não pronunciavam um portugues suficiente bom. Eu observava com tristeza as pessoas nervosas e tendo que passar por esse constrangimento, por não terem tido condições de aprender, por culpa do estado , da desilgualdade ou delas mesmas, era torturador ver isso.. Ouvia coisas como rezistro e pobrema. Via que muitos ali como eu estavam também inseguros e desesperados.Dessa prova passei juntamente com umas dez pessoas. A maioria delas meninas que aparentemente tinham uma boa condição financeira mas estavam ali porque o pai milionário obrigou. Outros não estavam preocupados por já conehciam o pessoal do RH e sabiam que iam ser encaminhados. Na segunda prova, esta escrita, tinhamos que responder questões primárias de matemática portugues e conhecimentos gerais. Me senti confiante até. Tenho a total certeza de que acertei a prova inteira, e eu e qualquer garoto de 12 anos, ou um macaco treinado. Mas dessa prova só passaram uma das meninas bem vestidas fantasiadas de Lady Gaga, eu, um negrão muito preucupado também e os que já sabiam que iam passar. No terceiro exame, uma redação o negrão saiu , visivelmente arrasado e eu consegui passar. Ao final houve uma dinamica, e no fim dela me disseram que eu não tinha o perfil da empresa mas que tinha ido bem nos exames e eles me ligariam para um outro produto. Pude apurar que passaram os tres que já sabiam que iam passar e que eram cumprimentados por seus amigos examinadores. Saí de lá , mas não me entristeci. Já estava tão acostumado que as lágrimas secaram e não conseguia sentir mais nada. Tinha 10 reias ainda e resolvi tomar uma cerveja e comer um pastel. Ao terminar peguei o transito podre da volta pra Tijuca e desliguei meu cérebro novamente. Em casa, o disco Wish Your Here do Pink Floyd fez com que eu ainda me divertisse. Amanhã seria um novo dia para a frustração , conseguindo um emprego ou permanecendo na inexistencia. O que aparecer eu estou aceitando, pois já não tenho esperanças com relação a nada. Fui ao mercado, comprei um vinho e dividi com ele o nada que eu tinha a oferecer.

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