Thursday, January 07, 2010

Nebulosa

Mais uma vez estamos. Eu, o Blues, o assim chamado jazz rock, o rock and roll se degladiando entre solos de guitarra e de piano. Minha tristeza, meus pensamentos e essas teclas. Essas teclas vagabundas com as letras quase se apagando. A vezes tenho que adivinhar onde está o P, o É. Outras vogais e consoantes apagadas. Os acentos também apagados. A lua ainda está lá e a noite não podia se mais quente. A bateria embala a noite , nos traz a sensação de que somos malandrinhos. De que podemos nos dar bem. Aqueles solos de sax, como um encasacado da noite voltando do seu trabalho ou da sua doideira. O sono parece me bater. Luto contra ele. Eu e o blues. Eu e minha tristeza. O amanhã estará logo aí. E nem sei se vou acordar, pois também não sei se vou dormir. . . Mais uma noite e minha cabeça já não funciona tão bem. Mas eu brigo contra o sono , sem razão. Talvez o maldito calor, talvez os filhos da puta da minha família, talvez o outro filho da puta que sou eu. Se eu não posso responder isso quem mais ? Serei eu capaz de responder algo algum dia ?
Eu resolvo esperar o amanhcer. Os passaros do vizinho arrombado que grita - Olha essa maconha aí ! - não param de piar. Criaturas idiotas, lindas e idiotas. Me fez pensar nas mulheres.
O alvo dos desesperados. Em busca de um tempo que foi perdido, das coisas que deixou de fazer, um livro atordoante de milhares de páginas que sempre deixamos de ler. Mas são essas as páginas mais importantes da vida.
Não durmo porque tenho medo das palavras me deixarem para sempre. De não ter onde cair morto, enlouquecer por completo sem mãe amigo ou namorada. O tempo passa, o fim vai chegando e a gente fica pensando. Somos cruéis conosco. A vida passa e ainda estamos pensando , mas o que mais podemos fazer?
Eu não sei, pode ser que você saiba. Eu tento descobrir uma função para a minha existencia desde que nasci e até agora não consegui. Devo ser mais imbecil que o cara que escreve as letras do jota queste. Será que vou ficar rimando isto com isso a vida inteura? O horizonte do mar nunca termina no seu olhar.
Não sei o que quero ser, mas sei o que não quero. Vamos a lista:
- Não quero ser um idiotinha de cabelo arrepiado com um quilo e meio de gel falando palavras como "bacana", e "maravilha",vestido socialmente para uma convenção de empresas com outros mil babacas competindo pra ver quem tem mais grana pra jogar no lixo.
- Não quero ser policial e morrer queimado preso a uma pilha de pneus.
- Não quero me fantasiar de bicha sorridente, me maquiar e vestir roupas curtinhas que evidencie minha magresa e minha cinturinha sexy, com meu cintinho de arrebite e rebolar a minha bunda onde vários funkeiros fashions da zona sul enfiam o dedo no cú um dos outros, dão gritinhos usando óculos enormes de cores berrantes em boites calorentas, com músicas insuportáveis. Feitas para agitar um débil mental ou brincar com um macaco.
- Tammém num quero falar pobrema cum meu exemprar do meia-hora entre os braços pela manhã indo trabalhá com outros framenguista, num lugá chamado vila aliança. Quando eu chegar a noite , também não iria querer ver minha noiva criola Ariadine mi contanu que estruparu e rasparu o cabelo Eloésia nu baile. Até porque é era mó vacilona mermo.
Sei bem o que eu não quero. Mas o tempo ta passando e não sei ainda nem como me levantar. Não consigo deixar de ser essa merda que eu me tranformei e que vai se arrastando tentando fugir da latrina , mas eis que chega roda viva e carrega a merda toda. Pra lá. O Blues ainda rola firme, desta vez com uns toques africanos. Uma batucada louca que inventaram. Esta batucada louca foi a principal responsável por crianças de 11 anos tendo outras crianças. Mas não é culpa da música. Nem do músico. Nem das pessoas.
Talvez o culpado seja eu , navegando por essa tempestade há anos sem me importar em como sair dela. Será que as outras pessoas tem que se lembrar todo dia que é preciso respirar ou morrem?

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