Saturday, December 12, 2009

Calma - Rita Lee

Sabem, a coisa que mais vem me incomodando neste momento em minha vida , é que quando me ponho a escrever, a coisa que como dizia Henry Chinaski, faz com que eu em distancie da total loucura, é o fato de estar ficando nervoso. Eu tremo só em pensar nas palvras que possivelmente escreveria.
Está ficando difícil escrever , e o que mais faz com que eu me odeie e odeie escrever e que não é mais divertido. Como nada no mundo.
Nada mais é . Só o torpor .
O rabo social pegando fogo , essa tranquilidade mórbida de todos, faz com que nossa postura estática nunca mude. Ninguém tem coragem de fugir da mediocridade. Afinal a vida está mais confortavel e a confiança nunca deve acabar . Devemos ter fé, existe um outro lado com mais de 20.000 pessoas olhando tudo que fazemos e de acordo com nosso merecimento estaremos todos, nós, bons seres humanos, salvos até a próxima encarnação.
E divagando na minha conversa fiada com meus pensamentos, vejo no cume da minha ignorancia total , da minha alienação retardada proveniente da tela e da imagem, que nada que não em cause esse torpor, essa falta de pensamento e de vida, faz com que tenha alegria.
Tudo pra mim está relacionado a falta de pensamento , ao desligamento total de todos e das coisas do mundo. Passo horas olhando para o mesmo lugar , da mesma maneira apenas esperando que chegue uma coisa que até agora não chegou e que eu nem sei o que é. Mas só o que consigo fazer é esperar.
Ainda esperando percebi o telefone tocando e alguns amigos me chamando pra uma bebedeira de quinta feira que me daria a justa alegria de não ter que pensar em trabahar na sexta. Fui. Alegremente .
Chegando outra vez a capital mundial das paraibagens, dos fascinoras e das putarias bandidas , a Lapa, encontro, meu amigo mestre do violão Caio, meu maior companheiro de bebedeiras e prisões Paulo, grande amigo que trabalha no exército.
Cheguei ao bar solicitado. Abrimos com Brhamas e uma dose de Stoneheaguer !
Caio começou os assuntos :
- Po circula uma história que o Candeia chegava ao bar e perguntava:
- Quanto é a média ?
- O garçom disse os preços em cruzeiros sei lá quanto era , mas ele disse .
Hum ! - Exclamou Paulo mostrando a todos seu brilhantismo
- Bom ai o Candeia perguntou :
- E quanto é o açúcar ?
- o açúcar é de graça - respondeu
- Então me ve dois quilos - disse o Candeia
Rimos todos e fomos falando deficiencias mentais durante a noite inteira, como todas as vezes que nos encontrávamos e ainda não estávamos bebados, o que me remete ao que me incomoda em questão.
Só conseguirmos ser realmente felizes , agradaveis, risonhos e sem esse semblante de morte eminente , de falta de sangue , quando estamos dopados de ignorancia .
Sou mais um ignorante feliz , mas não sou diferente , melhor nem pior que nenhum outro , e você ai vai me dizer que estudou muito , que leu muito e que não pode se enquadrar nesse meu pensamento superficial. E eu vou me defender dizendo que quanto mais informação vc adquire , quanto mais conhecimenro você tem , mais imbecil você é , porque as verdades descobertas durante sua vida lhe privam dela.
Eu gostava de me gabar sobre meu intelecto , agora vejo que sou ainda pior que o nada existente em muitas cabeças .
Mereço meu torpor de ignorancia .
Mereço o sol se pondo enquanto ainda espero o onibus da lapa , para voltar pra casa , mais bebado do que os 20.000 espíritos que farão esse planeta finalmente evoluir.
Pena. Não estarei aqui pra ver e morrerei com a mesma fisionomia no rosto e com a boca aberta bocejando .
Beijos para mim .

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