Vini e o mundo paralelo

Sunday, November 17, 2013

Sei lá

Você que me jurou, será que mente?
Em que afinal eu devo acreditar?
Não é por você
Não posso esquecer
Do que tu me fez
Preciso recordar?
Sei lá, se você tinha algum ciúme
Ou queria apenas me prejudicar
Não posso acreditar
No seu querer
Vou te lembrar
Que foi você
Que veio me lembrar
Que era você
No meu olhar
No meu viver
Que ao observar
O amanhã real
Tratou o meu amor
Como se fosse seu
Sei lá
Se vai ligar
Pra dor do meu olhar
Num mesmo sol
Num mesmo mar
Eu já não posso confiar
Não vejo mias nenhuma atitude
Do teu querer
Do teu olhar
És flor que cai
Sem se importar
Com quem vai destruir
Só vale o que quiser
Mas não vou mais sofrer
Por quem não quer me dar
O mesmo sol
O mesmo ar
O meu querer
É bem maior
Sei lá?
O que quiser?
Não quero esperar
Só queria saber
Se és tu a me guiar
Te perdoei e já não lembro do passado
Mas precisas me tranquilizar
Dizer serás feliz ao meu lado
Num mesmo sol
Num mesmo ar
Ao observar
Vosso querer
Eu posso declinar
De tudo que pensei
Eu posso te dizer
Que és tu que eu sonhei
Mas se eu não puder
Confiar em você
É bem melhor
Você falar
E me esquecer...

Sunday, November 10, 2013

Plantação

Todo dia ela planava as sementes.
Sua plantação era apenas para sobrevivência, mas ainda assim a maior da região.
Era todo o seu carinho.
Tinha o maior cuidado com os horários de regar, de cada hora de cada planta, de cada flor.
Era feliz , Júlia e suas plantas.
Todos dias as cinco da manhã já estava de pé.
Cuidava das plantas antes do marido e isso o deixava meio irritado.
Rafael outrora era o rei dos românticos . Era atirado , sem ser ofensivo.
Mas tinha pegada e aquele olhar por baixo de seu chapéu.
As más línguas o tachavam de bom vivam, diziam que com um homem desses a mulher destruiria sua reputação.
Mas naquela festa do clubinho...
Foi a primeira vez que ouviu Chuck Berry.
Logo no começo Rafael a tirou pra dançar.
O seu pirú grosso, mesmo mole balangava nos passos dentro da calça de linho branco.
Até que o disque jóquei sapecou o Earth Angel do Buddy Holly.
Dançaram coladinhos e o pau de Rafael , cada vez mais duro ia passando nas coxas durinhas de Júlia.
Júlia as vezes até dava um gemidinho assim:
- Hã
Após a festa estasiados em suor Rafael conseguiu seu primeiro beijo, na pica.
Entraram na sua Variant, Rafael dirigiu até um mato e lá fizeram gostoso.
Após seis meses sendo dois de namoro se casaram.
Mas pra que pensar nisso agora?
Rafael era barrigudo, calvo e fedorento.
Não batia nela mas tinha um modo de falar que gerava discórdia.
Era uma notícia no jornal , uma conversa sobre o rádio, sempre terminava com ofensas morais.
Ele bebia muito também , mas ela entendia.
O trabalho dele era muito estressante.
Tinha que ficar em média doze horas com um saco de cocaína na mão esperando os doidões  chegarem.
Rafael tava puto porque a horta de sua mulher dava mais renda que seu narcotráfico.
Isso gerava muitas brigas também.
Mas nada destrói uma forte mulher apaixonada , achava que conseguiria muda-lo.
Já ele se achava um merda por ter mudado tanto por causa dela , tinha saudades das calças de linho e das mulheres fáceis.
Lembrava que tinha se casado para evitar um escândalo na sua família porque uma pirocadinha gerou um homem.
Que criaram muito bem e hoje estuda medicina.
Ao sair para o trabalho depois de alguma briga com sua amada esposa , Rafael esqueceu-se de cagar.
Cagou na plantação dela e foi embora cantando.
Uma semana depois nasce um sua plantação um cogumelo e ele descobre que Júlia o traía com Jurandir, um pastor evangélico que sempre ia a sua casa.
Ele matou os dois , se estrangulou , mas poupou o filho, que só soube da notícia depois de sair do motel com duas putinhas que ainda estavam no primeiro semestre da faculdade e davam a bunda pra veteranos pra conseguir status.
Ao ver pela TV hoje em dia o videotape da notícia da morte dos seus pais, ele lembra com carinho daquelas duas bundinhas adoráveis.
A plantação de sua mãe cresceu e hoje é só um monte de mato atrás de sua casa que ele não tem dinheiro pra cortar.
E ai sofre com os insetos todas as noites.

Friday, November 08, 2013

Futebol

Futebol é uma paixão idiota.
Se bem que já cheguei a pensar que toda a paixão era idiota e a passividade minha melhor amiga.
Chego ao estádio, ainda não muito cheio duas horas antes.
Encho a cara num bar barato pois os cem reais do ingresso é uma madeira no cú pra quem ganha setecentos e não vive sem comer.
Acho que antes de pagar um salário desses ao povo, deveriam investir numa tecnologia que nos fizesse digerir a ingestão de terra.
E antes de cobrar um preço desses num estádio que nós construímos , reformamos e reformamos novamente, acho que alguém deveria ser espancado.
Mas nunca haverá o destrono sem que a plebe desafie seu rei.
Mas estávamos lá eu, a cachaça, a camisa do meu time e os velhos que sabem tudo e sempre conhecem mais de futebol que você:
- Porra aquele golaço do Adamastor em 68, há garoto você devia ter visto , ele driblou três e com o ultimo zagueiro, chocou-se, deu quatro mortais e fez um gol de cú, ELE FEZ UM GOL DE CÚ.
O estádio custou mais de um bilhão e já tinha sido reformado duas vezes, estava bonito , mas não lindo.
Era bom mas não era ótimo.
Era legal mas não muito
Era como cagar pela metade e ter que cortar a merda no meio.
Eu tava entorpecido com 8 copos de cachaça. Entrei e vi meus companheiros torcedores. Não passavam de 10.000 e eu me perguntava:
- Tá faltando zero nessa conta.
Por dentro era apenas um estadio , sem a personalidade de outrora. O banheiro estava sem água, a água de garrafinha custava 10 reais e o cachorro quente 18, cachorro este, que só tinha pão e uma salsichinha do tamanho do pirú de uma estatua grega.
A torcida não vibrava mais como antes, até os fanáticos pareciam cinzas.
Eu de tanto arrependimento pelo dinheiro gasto acendi um baseado no meio da torcida dos jovens, porque acreditava que nem a PM gostaria de ir naquele meio. Fiquei perto dos instrumentistas pois ao tocarem não teriam como me agredir.
Mas eu estava errado.
Um PM batizado pela PM de Pereira sentiu o cheiro.
Veio na direção da gente , já dando cacetadas e fazendo perguntas, mas nessa eu já havia dispensado o flagrante e deixado ele lá com suas desconfianças.
Fiquei realmente puto. paguei caro e não podia beber nem fumar no estádio , não podia cagar porque o banheiro não tinha água e não podia comer, porque não era milionário.
Porra fiquei puto.
No intervalo me reuni com alguns jovens torcedores e falei pra eles que deveríamos quebrar tudo afinal, o jogo tava uma merda, o time idem, o serviço do estádio um chute na bunda.
Eles gostavam de confusão e me ajudaram. Colocamos fogos em bandeiras , muitas delas e em faixas também.
Uns 100 policiais chegaram , mas eramos 1000.
Dai a porrada comeu firme, eu não sei brigar direito então me preocupei em queimar e destruir tudo que eu pudesse, quando eles foram chegando perto, encurralando-nos em um canto eu peguei uma criança de 4 anos e joguei em cima do policial.
Ele caiu junto com a criança e foi rolando a arquibancada.
Dai nego viu que era só jogar criança que eles recuavam.
Jogamos umas 10 e eles recuaram um pouco nos dando tempo de pensar.
Fui com um jovem torcedor até a porra da lojinha de comida cara igual a um inferno e invadi mesmo, ninguém fez nada, todos com medo porque o jovem torcedor que me acompanhava era maior que qualquer homem comum , era um fenômeno.
Lá procurei logo o álcool, que logo achei , tratei de incendiar a lojinha.
Senti muito pela atendente que se queimou um pouco, mas foda-se eu não estava mais me importando , tava muito puto.
Voltamos pra arquibancada onde a porrada ainda comia solta e o pessoal ainda arremessava as crianças pra cima dos PMs, eu fiz história e fiquei orgulhoso.
Tínhamos seis garrafas de álcool ainda e continuamos queimando, o armário em forma de gente e eu.
Mas ai tive a melhor ideia de todas, se as criancinhas eram a unica forma de fazer a polícia recuar, você imagina uma criança flamejante?
Funcionou desse jeito, eu jogava o álcool e o negão acendia e arremessava. Com essa artilharia pesada a polícia não teve chance. A torcida os derrotou utilizando os mastros das bandeiras como potentes cassetetes e alguns até como punhais.
Depois disso botamos fogo, destruímos quase tudo que encontramos, choramos de contemplação.
O jogo foi cancelado,  meu time punido com seis jogos sem o mando de campo, 70 PMs morreram, além de vinte e dois civis, a maioria crianças , e o estadio foi fechado por um ano para obras emergenciais, sem licitação e com dinheiro público.
Infelizmente meu amigo negão foi preso, já eu passei batido porque sou branco e filho do Dr. Adalberto Juvencio que era PM também.
Hoje em dia sem poder ver o meu time jogar novamente, já ando me reunindo com uma galera da pesada esperando que na reabertura, não obriguem a usar o filho de ninguém como bazuca novamente.