Plenitude
Eu corro e olho o céu e ele já não me da bom dia, as estrelas parecem bolinhas de cor, que tem beleza mais não tem valor, isso quando não é só a escuridão. Resolvo sair, percebo a cidade, invejo os medíocres, me inferiorizo aos maiores, porém não há ninguém igual a mim. A tristeza já faz parte do corpo, o rumo se perdeu a tempos e perambulando entre os conversantes tento algo. Não tenho sacolas de compra ou objetivos, não estou atarefado nem ligado a nada. Sou algo e sou nada ao mesmo tempo. Mas sou alguma coisa.
Não desejo saber o que sou nem se ainda sou algo. As lindas mulheres e as dolorosas decepções. Os carros que passam e a minha idade aumentando. A criança morta sangrando dentro de mim. As escolhas erradas e o boteco vazio. Sem dinheiro e sem esperanças, caminho ainda sem nenhum lugar pra ir e caminho reto por não ter onde parar, nem porque parar. As vezes que sorrio quase sempre é de mim mesmo. Com os outros apenas sou capaz de ser. Um vaso raro quebrado, talvez prepotente, talvez preguiçoso, talvez sensível, talvez inútil. Totalmente diferente e indiferente. Correndo até o céu , agora já andando. Não pude mais correr muito. As pessoas não gostam de gestos bruscos em certas ocasiões. Mantenho-me o mesmo. Tentando ao máximo fingir a normalidade. Reparando e percebendo. Observando sem aprender muita coisa. Parece que já sei tudo de cor e que tudo é uma coisa só. O nada. Quando se altera ainda sim é nada.
Sempre está lá por mais que algo aconteca e devo confessar, não acontece muita coisa. Os rios poluídos me incomodam, começo a voltar pra casa, sem esperança de melhora eainda combatendo algo que não sei o que é. Mas não me renderei. Também não sei porque. Só tenho as perguntas mais muito pouca resposta. Minha resposta ainda é a inexistência existente. O sol brilhando no céu e nos fritando. Fico preto, fico a milanesa. Pronto pro consumo, mas sou de gosto estranho , poucos se atrevem e poucos gostam. Meu aspecto não apetitoso sempre me preocupou. As luzes brancas sobrepondo as verdes, as azuis. A brancura de maquina de lavar. A imundice mais limpa. Me guiam a realidade , talvez só a minha. Onde gosto de estar, onde ainda consigo lembrar de viver. Minha identidade é falsa. Não sou mais eu que lá estou. Promessas vãs. Raciocínios sem continuidade . Cada vez mais perplexo com os outros e fazendo parte deles , mais até do que eles. Sempre tratando-os como "eles', eu, isolado na bolha que o sol queimou que explodiu. comigo dentro. Meu oxigênio nas ruas. Os mendigos e piranhas caem do céu. A fogueira é longe da cachoeira e feita lá no alto daquelas casas pobres. O violão sempre trastejando , está quebrado. Não conheço ninguém que o concerte. Não tem muita graça se é de graça. Se não tenho o que oferecer porque vão me dar atenção? Chegando a meu apartamento de certa forma limpo para um homem que mora sozinho posso perceber alegremente a televisão. Afim de desligar minha cabeça ou quem sabe dormir. Dai avistei uma sessentona que cozinhava com roupas picantes. Apenas comidas que o cidadão comum do brasil jamais conseguirá fazer, ou por não terem farpela para os ingredientes ou porque achariam que é uma merda comer aquilo ali. Porque ela não da um macete pro bife ficar mais vermelhinho? Porque ela não me ensina como fazer um tempero animal pro feijão? Porque acho que apenas eu penso assim. Apesar de não fazer a receita eles almejam um dia poder fazer a comida. E essa ilusão os mantém sorridentes e confiantes. Se contentando com a não plenitude. Eu queria que todos pudéssemos ter o máximo de tudo que quiséssemos. Mas é injusto e sempre será. O problema é que vocês querem sempre mais. Troco de canal e boto no desenho. Aqueles de super-herói americano. Vejo um pouco e me sinto orgulhoso e patriota e procure um herói do nosso pais o líder das cachoeiras e cascatas e do céu azul anil. Eu mesmo te respondo, JOSÈ SARNEY com o auxilio de seus partidários corruptos e seus correligionários. Sou como o brasil um país sem futuro.

