(ismo)
Mas um dia voltando do bar, vazio. Eu estava vazio, o bar não. Eu ia lá pra que quem sabe entorpecido doesse menos. É um ledo engano que cometo ha anos, e que não me é conveniente parar. Lá dentro eram todos sorridentes, alguns comentavam política outros futebol. As putas da madrugada também estavam lá , bebendo de graça , sentando no colo daqueles velhos. Quem me dera se eu tivesse belas pernas. Seria uma puta do whisky.
A noite continua a mesma, a guerra nunca vai acabar, aonde você for encontrará alguém que lhe daria uma facada se tivesse chance, cansados de sofrer com a miséria e com a fome. Se você tem o que comer , você é o inimigo
Isso é a justiça dos que não tem porra nenhuma. Estão certos e deviam mesmo transformar essa lixeira em uma labareda enorme. Deviam queimar tudo. Não merecem tanto sofrimento. Mas eu também achava que não merecia.
Bebado, duro, sem ter pra onde ir ou que fazer caminhava pela noite tijucana , pensava numa amiga que mandou procurar um psiquiatra e me adaptar como fazem a maioria. Eu precisava estar inserido também, era o que ela acreditava , mas via com razão algo de errado comigo.
Eu não sou sombrio , pelo contrario , tenho um sorriso vago e um olhar vazio, o cara do Lie to Me me prenderia com certeza me achando um serial killer.
Antes da UPP (Unidades de Porradas Pacificadoras) eu conseguia um backzinho e algum cracudo pra conversar , mas as ruas andam vazias, tristes e silenciosas. Apenas o barulho dos carros e dos meus passos.
Com gosto de alcool na boca, vejo as lojas fechadas, todos aqueles produtos , aqueles peços, ou apenas a porta fechada, daquelas que se fecham de cima pra baixo. Os mendigos que habitam a porta da maioria dessas lojas não queriam papo comigo, me achavam maluco porque de fato não estava maltrapilho e tinham razão, andar bem vestido , com gel nos cabelos e a cara sorridente é a maior loucura que há. Invejoso pelos que não pensam, queria eu um churrasco na lage e a alegria de um gol domeu time campeão. Ilusões que finjo ter, fingindo estar procurando alguma alegria como nesta noite.
Quase chegando na Saes Peña eu encontrei a alegria. Numa quadra de futebol um casal fazia sexo em cima de um papelão. Eu disfarcei e fiquei ali olhando. Ele um negro forte, com barba e cabelos por fazer e um semblante forte. Ela uma negrinha totalmente suja e magra parecendo estar em outro mundo. Enquanto ela parecia dormir acordada ele mandava ver, não ouviam-se gemidos, mas ele estocava forte. Os gemidos dela eram agudos mas de baixa intensidade e a cara dele parecia raivosa. Ele batia nela e ela nada fazia. Fui embora, mas pelo menos tive alguma emoção.
Além dos pontos de onibus repletos de humanos que não gostariam de estar ali. Queriam suas camas, suas esposas, mas também seus bens, portanto sujeitando-se aquilo que lhes matava.
Muita gente com cara de morte , com cara de defunto. Defuntos ambulantes. O começo da feirinha , barulhento e incomodo. Sai dali, mas começava a gritaria e a corrida diaria contra o tempo. Tempo que se gasta trabalhando , tempo que se gasta nos dias de folga pensando em quando ela vai acabar. Cada vez mais carros e onibus , as pessoas começam a abrir suas lojas, vender coisas. A polícia já voltava de suas rondas pra arrecadar grana nas favelas e fingiam trabalhar. Vi legal.
Era hora de voltar pra casa e dormir , somente acordando a noite onde todo e barulho a caos não predominem e como vampiros saciados parem de beber meu sangue, já tenho muito pouco nas veias. Mas ninguém me tira o que tenho de mais valor, as ruas pra andar e o livre pensamento , tentando não te-los é só o que me restou.
A noite continua a mesma, a guerra nunca vai acabar, aonde você for encontrará alguém que lhe daria uma facada se tivesse chance, cansados de sofrer com a miséria e com a fome. Se você tem o que comer , você é o inimigo
Isso é a justiça dos que não tem porra nenhuma. Estão certos e deviam mesmo transformar essa lixeira em uma labareda enorme. Deviam queimar tudo. Não merecem tanto sofrimento. Mas eu também achava que não merecia.
Bebado, duro, sem ter pra onde ir ou que fazer caminhava pela noite tijucana , pensava numa amiga que mandou procurar um psiquiatra e me adaptar como fazem a maioria. Eu precisava estar inserido também, era o que ela acreditava , mas via com razão algo de errado comigo.
Eu não sou sombrio , pelo contrario , tenho um sorriso vago e um olhar vazio, o cara do Lie to Me me prenderia com certeza me achando um serial killer.
Antes da UPP (Unidades de Porradas Pacificadoras) eu conseguia um backzinho e algum cracudo pra conversar , mas as ruas andam vazias, tristes e silenciosas. Apenas o barulho dos carros e dos meus passos.
Com gosto de alcool na boca, vejo as lojas fechadas, todos aqueles produtos , aqueles peços, ou apenas a porta fechada, daquelas que se fecham de cima pra baixo. Os mendigos que habitam a porta da maioria dessas lojas não queriam papo comigo, me achavam maluco porque de fato não estava maltrapilho e tinham razão, andar bem vestido , com gel nos cabelos e a cara sorridente é a maior loucura que há. Invejoso pelos que não pensam, queria eu um churrasco na lage e a alegria de um gol domeu time campeão. Ilusões que finjo ter, fingindo estar procurando alguma alegria como nesta noite.
Quase chegando na Saes Peña eu encontrei a alegria. Numa quadra de futebol um casal fazia sexo em cima de um papelão. Eu disfarcei e fiquei ali olhando. Ele um negro forte, com barba e cabelos por fazer e um semblante forte. Ela uma negrinha totalmente suja e magra parecendo estar em outro mundo. Enquanto ela parecia dormir acordada ele mandava ver, não ouviam-se gemidos, mas ele estocava forte. Os gemidos dela eram agudos mas de baixa intensidade e a cara dele parecia raivosa. Ele batia nela e ela nada fazia. Fui embora, mas pelo menos tive alguma emoção.
Além dos pontos de onibus repletos de humanos que não gostariam de estar ali. Queriam suas camas, suas esposas, mas também seus bens, portanto sujeitando-se aquilo que lhes matava.
Muita gente com cara de morte , com cara de defunto. Defuntos ambulantes. O começo da feirinha , barulhento e incomodo. Sai dali, mas começava a gritaria e a corrida diaria contra o tempo. Tempo que se gasta trabalhando , tempo que se gasta nos dias de folga pensando em quando ela vai acabar. Cada vez mais carros e onibus , as pessoas começam a abrir suas lojas, vender coisas. A polícia já voltava de suas rondas pra arrecadar grana nas favelas e fingiam trabalhar. Vi legal.
Era hora de voltar pra casa e dormir , somente acordando a noite onde todo e barulho a caos não predominem e como vampiros saciados parem de beber meu sangue, já tenho muito pouco nas veias. Mas ninguém me tira o que tenho de mais valor, as ruas pra andar e o livre pensamento , tentando não te-los é só o que me restou.

