Vini e o mundo paralelo

Monday, July 26, 2010

Radiohead

Meu novo emprego me inebriou com toda aquela felicidade normal , do ser humano normal conformado e com aquela horrorosa ponta de dignidade.
Já poderia dizer aos meus poucos amigos que havia deixado meus sonhos de lado , como todos os medianos e agora poderia convida-los a esquecer que eu perdi totalmente o meu assim chamado valor humano bebendo até não poder mais. Agora depois de muito tempo podia pagar por isso.
Recebi hoje meu primeiro salário. Minha família festejou e almejou um bom futuro pra mim.
Meus amigos me cumprimentaramao ver que eu não estava mais estragando completamente a minha vida com meus sonhos de sarjeta.
Se foram, como tudo que um dia acreditei fielmente, sabia que não podia derrotar a engrenagem , mas pelo menos tinha orgulho de não pertencer a ela. Apesar de também precisar consumir , antes que os nossos amigos yuppies venham aqui e me chamem de revoltadinho.
Sei , me vendi em prol da sobrevivencia. Esqueci de tudo que eu sou por 530 reiais mais benefícios.
Tenhoum emprego de merda, sou um espécie de faz tudo da empresa , tenho que ir em lugares distantes entregar ou pegar documentos , fazer café , limpar o escritório e levar o lixo até a lixeira.(O que é a melhor parte porque nessa hora posso fumar escondido na lixeira.
Mas não é isso que me incomoda, o que me incomoda é chegar em casa e ver que a minha vida é um total disperdício , chego tão cansado que é humanamente impossível agir criativamente.
As palavras já não dançam mais na tela e o tempo se torna cada vez mais escasso. Mas fazer o que?
Infelizmente a merda que nos criou nos obrigou a comer , e nós , os criados obrigamos aos outros criados a pagar pela comida.
Fico pensando o que vou fazer com meu salário miserável e quando vejo a situação que vivo, vejo que não vai sobrar nada para que meu deleite e manifeste, pois não há tempo.
Comsome minha alma e me torna vazio , me suga qualquer resquício de vida que teime em existir em mim , fico pálido, acinzentado , como todos na repartição aliás. Todos fingindo rir , fingindo estarem realizados , e reclamando mentalmente da merda que é na hora do almoço.
Por isso sempre almoço sozinho. Como qualquer merda na rua afim de perder minha unica hora de descanso me alimentando. Sento em frente a sede da Souza Cruz ali na candelária e leio meu bukowiski , meu fante , meu sartre e lendo-os, genios, eu sinto vergonha de mim mesmo. Da minha covardia , da minha rendição.
Tive medo da loucura , das mulheres decepcionantes, das noitdas iguais quando muitas vezes precisei andar bebado por lugares perigosos por não ter grana pra voltar. Mas lembro-me que meu espírito estava aceso e minha mente afiada, caida mas desferindo socos pra todos os lados , fazendo com que no fundo eu tivesse algum orgulho.
Agora tudo se foi. Vou comprar roupas novas , talvez algo bom pra beber pra variar, vou ajudar em casa e viver a frustração todo santo dia . Humilhado em meio aos milhões de derrotados.
Depois  é hora de voltar , mas depois do almoço a coisa fica mais fácil , as horas passam mais rapido e na hora de sair como todo bom funcionário penso em dormir pra não chegar parecendo um zumbi no dia seguinte e ser despedido.
Vendo a minha barba cair na pia , meu rosto liso e sem cor , tão triste quanto a cegueira, sem saber mais quando estou sendo enganado, completamente alienado e abduzido pela maquina que espreme culhões.
Com esse texto digo finalemnte adeus a todos os meus sonhos , e comprarei sonhos falsos de padaria, sem conseguir afasta-los das moscas, mas podres que a minha auto estima.
Vamos comemorar comigo, no fim de semana tem lapa e eu aos poucos , vou aprender a viver sem ter uma vida , comendo o que eles querem , bebendo o que eles querem e fodendo com quem eles querem . Enquanto eles dançam em cima de mim, montados em nuvens pretas de tempestade.
Sem chover, pois nós , os funcionários não merecemos a água . Nós a base da piramide vivendo pra que os outros vivam. Esperando alguma brecha do tempo , algum abono na minha esmola, e algo pra comer que não me desca cortando o estomago.
Um brinde, a todos que deixaram o que eram de lado e agora são obrigados a existir sem ser absolutamente nada, apenas uma foto em preto e branco que consegue caminhar, sempre em linha reta , desviando do transito , porque não pode morrer. Até isso lhe é privado e então continuamos andando. Mortos.
Por favor meus amigos que gostam de mim, deixem-me chorar até que eu morra afogado.

Friday, July 16, 2010

Bongo Rock

Essa vai pro meu amigo muito mais escritor que eu o Rick.
Por mais incrivel que pareça isso ao meus poucos leitores, poucos amigos e alguns outros gatos pingados na lata de lixo mais suja da comlurb que leem essa deficiencia, minha vida deu uma melhorada.
Eu arrumei um emprego escravo de 600 reais por mes, não sei se a garota que eu gosto gosta de mim, mas pelo menos não disse que não gosta , e meus amigos nunca estiveram tão próximos.
Posso comprar alguma liberdade, comer o que bem entender e me embebedar de vez em vez.
Analisando a minha vida que sempre foi um desperdício, conversava com meu amigo Rick, mais novo e muito mais genial do que eu, sobre a possibilidade de se mudar as coisas. De fazer com que a lama recheada de merda não entre mais em nossas bocas. Acreditava eu que se vc trincasse os dentes eles ficariam negros e fedorentos , e a lama mesmo asim entraria , não da pra evitar. Porém  merda não. A merda borarria o seu esmalte tornando-o marrom e mal cheiroso , mas vc não precisaria mastigar. Se jogando no mar , no imenso e atordoante mar e comendo aquela água salgada vc poderia se sentir limpo novamente. Ele acreditava nisso , por ser mais inteligente do que eu.
Eu não. A merda me levaria derrapando até o mar e me afundaria no ocenano amrrom sem que eu pudesse novamente ver o céu.
Lá vão os comunistas chupadores de microfones , desertores de Marx em mais uma passeata de meia duzia de pessoas por motivos impossíveis.
Não sou neo-liberal , ou reacionário , mas acredito menos nesses babacas do que nos engravatados que andam com suas malinhas de diamantes.
Onde eles estavam quando o polvo adivinhou as falcatruas do senado e a lula errou quem seria o vencedor da copa do mundo?
E onde eles estarão quando um cara de sebo desses entrar no meio do jornal da globo com um milhão escondido dentro do anus?
Estarão em casa contando a sau parte.
Chupando seus microfones esbravejantes.
Junto com seus inimigos.
Uma corja só.
A eleição dos ignorantes e dos ignorados.
Das cadeias eleitorais e dos votos de bancada
Das merdas aglutinadas dentro de eum saco prestes a estourar que nunca estoura.
Nem vai pois remendam tudo.
Por isso no auge dos meus 25 anos dentro do meu emprego escravista e burgues , eu acho que nenhuma merda de palavra vai conseguir se concretizar nessa merda de país pois já escolhreram todas
Já criaram o livrinho de regras e nós sedados e amordaçados somos mais fracosque uma pluma caindo num bujão de cachaça.
Brasil um país sem futuro , onde os palhaços não tem platéia e onde ninguém entende as piadas.
Onde passam vaselina na sua bunda e você um sorriso babaca.
Um sorriso de suposta satisfação.
E os revoltos , os que pensam , continuam escrevendo , cantando , sonhando sozinhos, cada um nas suas bolhas revolucionárias onde só cabem mesmo as suas tristezas e  indignações.
Nos enfiamos nessa bolha pra fugir do mar de lama emerda que citei no início , ams nos isolmamos assim de todo resto.
Aprendemos com história da humanindade que o dinheiro , os bens de consumo sempre ditarão as regras.
E não há evolução para isso mude.
Nunca haverá
Não interessa nem a quem comanda nem aos comandados.
O shorts enfiados na bunda.
A gravata fedendo a vinho no terno manchado.
O fedor sem camisa de uma ar-15 engatilhada.
E a puta de 500 reais num flat em copacabana
Desigualdade ?
Não.
Igualdade.
Quem nasce com contatos ou grana tem algo pra se divertir na vida.
Quem nasce inspirado e inconforamdo passa a vida a sofrer e morre digerindo o próprio estomago.
E quem nasce sem nada é levado pelo mar de merda.
Mas eu tenho a solução.
Jatos de energia retilíneos e eu curto isso pacas.
As infintas luzes do arco-iris e as pessoas que se escondem onde os olhos não vem ninguém.
Fugiremos da merda, pois não podemos combate-la.
Mas ainda sabemos que ela está aqui levando as maiores ondas .
Nós?
Naufragados eum pequeno barco de borracha tomando vinho barato.
Meu amigo Ricky e eu.

Tuesday, July 06, 2010

Czar

Hoje tava fim de escrever.
Aproveitar a noitada que tive com meu amigo de grande coração Paulo Samuel.
Aprendi com suas atitudes a não subestimar o alcool.
Hoje as uma e quinze da manhã, ela estava online  eu não falei com ela.
Cansei de escrever sobre amores, afinal eles sempre se vão e o vazio no peito sempre fica.
Posso escrever então sobre a loucura, sobre música, sobre a literatura?
Não , não posso.
São assuntos muito inteligentes para minha ignorancia.
Posso escrever sobre a ignorancia , mas seria demasiadamente deprimente.
E posso escrever sobre a depressão porém já me cansei de escrever sobre ela , de vive-la e de come-la em fatias pequenas.
Posso escrever sobre mas sempre faço isso ...
Queria escrever sobre ela , mas ela não ligaria . . .
Ninguém liga.
A gente espera e o telefone não toca.
A gente espera e o viver é sempre o mesmo.
A gente luta e nunca ganha.
A gente luta e nunca perde.
É sempre o vazio mediano que nos rodeia.
E a certeza que tudo tem um fim.
Por mais que no fundo, no fundo do seu coração você ainda queira que as coisas continuem.
Eu só não queria viver na mediocridade.
E consegui, estou abaixo dela.
O estigma do fraco, do covarde.
A verdade do desvalido, a palavra do mudo.
A tristeza do palhaço e a racionalidade do bebado.
Do drogado.
Do analfabeto.
Será que eu poderia escolher alguém em quem votar ou minha consciencia se negaria após anos de decepção a escolher qualquer um desses safados?
Seria eu o único?
Ainda espero algo, que não sei o que é.
Ainda tenho o fardo, que não consigo me desvencilhar.
Ainda tenho ela e os meus pensamentos.
Ainda a tenho a onda de várias cervejas.
E os risos dos amigos.
Esporádicos como toda a alegria.
De um homem sem esperança que se distancia do que gosta.
Do que quer.
A ponto de não saber mais o que quer.
A ponto de não ter pra onde correr.
Ainda esperando a perfeição que nunca chegará.
A tranquilidade.
Só queria alguém que se importasse, mas isso é pedir demais.
Mais uma vez o texto saiu sobre mim.
Como se  meus problemas fossem os únicos do mundo.
E ainda querendo que alguém me ajude.
Me dizendo que todas as utopias são possíveis.
Por mais que não sejam.
E que sonhemos juntos o impossível.
Para que assim se torne possível essa realidade.
A dor e a calma.
Intinerante.
Sendo a calma, bem pior que a dor.
O nada bem pior que o sofrer.
Pois pelo menos o sofrer me lembra que ainda estou vivo.

Thursday, July 01, 2010

O Peso

Mais uma vez a Lapa, mas uma vez a minha insonia e minha falta de tato para com o mundo.
Havia bebido a tarde e ouvido histórias do meu querido amigo Paulo.
Talvez o meu amigo que mais luta pra se manter vivo em meio a todo esse caos, esse mundo de desilusões eternas e problemas interminaveis, onde seu time vence aquele campeonato aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo com um penalti inventado pelo juiz.
Rimos, bebemos e choramos juntos. eu ia encontrar uma menina na lapa.
A menina que eu gostava no momento , ou pelo menos achava que gostava. O coração te engana de diversas maneiras quando se é sozinho. Você acaba achando que qualquer pessoa que goste de estar junto é a sua salvação dessa dor lancinante. Não era. Me incomodei pelo fato de toda hora ela ir cheirar e me deixar sozinho com seus amigos viados. Se bem que tinha um que me agradava , o Marcos , que era uma bichinha inteligente e respeitadora, Além de ter um grande coração e estar pagando o vinho barato que dividíamos.
Tenho vários preconceitos, mas contra o homossexualismo nada tenho, se o cara gosta de dar o cú, o cú é dele e eu não tenho nada haver com isso, assim como eu, que gosto de ficar bebado e não acho que ninguém deva se intrometer, cada um escolhe o que quer da sua vida , ou assim deveria ser. Mas nunca é.
Os nossos inimigos que estão no poder fugiram da piscina que habitavam junto aos outros ratos e resolveram padronizar a existencia humana. Criaram os grupos, os estilos e agora vemos cada quais em seus habitats, milhares de pessoas iguais em suas determinadas influencias. Elas falam igual, agem da mesma maneira, se vestem igual e gostam das mesmas coisas. Eu, alheio a tudo, observo que a única diferença é que uns tem mais dinheiro pra se fantasiar que os outros, mas todos estão no fundo copiando aquela pseudo-cantora que fica fazendo coreagrafias feitas por um retardado mental com mais 4 dançarinas usando roupas do mesmo estilo fazendo a mesma dança ,que todos esses retardados teimam em copiar. O nível de retardo é tão grande que eles ainda se acham diferentes entre si e competem quem imita o outro de uma uma forma mais diferenciada. Ele não cria a sua própria dança , mas faz um movimento harmoniosamente diferente a puta rebolativa em questão e aos seus amiguinhos iguais. E ai todo mundo se dá muito bem. A indústria vende roupas e discos, vende pensamentos e todo mundo compra , vende ideias de consumismo e as pessoas pensam achando que estão comprando felicidade. Ledo engano, nem sabem o que é ser feliz , a felicidade que parece ser eterna deles se dá em torno da felicidade de se sentir melhor que as outas pessoas e não no fato de apenas sentir-se bem. Me causa ansia de vomito.
Ainda caminhava por lá , analisando esses grupos, que a midia organizou e denominou e me perguntava se algum dia talvez podia fazer parte de algum ,talvez dos loucos de hospício mas não existe muita variedade nesse grupo e eu sou geminiano. Os escritores jamais me aceitariam pois são eles os donos unilaterais do pensamento humano. Deuses da intelectualidade, não estava eu vocacionado a ser um deles , seres ricos e perfeitos , eternos do supermundo como dizia meu amigo de depressão Tim Maia.
Já tentei ser músico mas é o pior grupo que existe, os não talentosos se acham talentosos, os talentosos se acham mais talentosos do que são , e os genios são pessoas inacessíveis que só aceitam consigo os genios. Eu não era nenhum dos tres. E ainda tinha a tribo musical dos esforçados que mesmo sem saber tocar porra nenhuma ou cantar bem se matavam a vida inteira por isso e com muita força de vontade as vezes conseguiam viver de música. Mas eu não tenho força de vontade nem pra levantar a bunda e ir embora para casa. Por isso sentei no gramado e fiquei sozinho observando esse superficial mundo. As mazelas sexuais, as pessoas passando mal abandonadas em coma alcoólico, os PMs acharcando as pessoas e os bandidos acharcando as pessoas. Não me cansava disso, pelo menos eu tnha algum contato com a civilização e deixara de ser um macaco preso na minha selva de pensamentos não adequados a esse perfeito mundo. E ainda pensava se era normal comprar uma camisa porque achei legal , ou se deveria comprar uma camisa igual a de um escritor ou músico que gosto. Como nunca tenho grana , deixei a camisa pra lá, gastei meu dinheiro todo em alcool e voltei pra casa mais uma vez sonhando ainda com uma garota que tenha pensamentos próprios e tentando sair fora da aglomeração de zumbis sedados que habitam o nosso querido pais e o nosso querido mundo.
Um dia serei político e minha campanha se baseará na massiva propaganda subliliminar, de não votem em ninguém. Um dia serei estilista de moda e encorajarei as pessoas a fazerem suas próprias roupas do jeito que quiserem e não comprarem as minhas.Um dia serei um roqueiro que induzirá as pessas a comprar discos de jazz , de funk , de reggae e de qualquer coisa que queiram. E nos meus clipes não haverá ninguém rebolando a não ser eu fazendo uma dança qualquer, ridícula tendo em vista o fato de eu não saber dançar.  E um dia, quem sabe um dia, eu serei um escritor e copiarei várias passagens do Fante , do Bukowiski, do Kafka e Dostoiévski.
E continurei sofrendo . . . Como eles.