Vini e o mundo paralelo

Wednesday, May 19, 2010

Som Imaginário

- Mas meu amigo você ainda está nessa? Ainda não squeceu esta mulher?
- E como esquecer Caio meu caro , eu a espero todos os dias como se fosse entrar pela janela sussurrando o meu nome e me chamando pra ver o mar.
- Escuta, você é muito extremo , gosta de se entregar ao máximo a todos os sentimentos, isso vai acabar te matando.
- Eu já estou morto meu amigo , eu apenas ainda não desencarnei , ainda não virei, sem consciencia, comida para protosoários.
- Deixa disso , você precisa se animar , ver que a vida pode ser boa , que existem outros peixes no mar.
- Ai é que está a questão, eu não quero! Não quero ser feliz , não quero sorrir espontaneamente, e lutar pelas minhas coisas, pela minha felicidade. Não quero nada para mim , pois o melhor que tive , deixei morrer, a única coisa que realemente quis na vida se foi naquele avião. Eu já não quero ter mais nada, é como se estivesse me punindo , eu realmente mereço sofrer até o último dia da minha vida.
- Ou você é muito hipócrita ou muito idiota! Porque então não se levanta dessa merda de cadeira e vai atrás dela caralho. Arruma uma porra de um emprego e uma passagem para o sul pelo amor de deus. Ou vai acabar numa clínica de loucos.
- Não Caio , tudo menos isso , porque ai as drogas comeriam a minha racionalidade e eu não poderia mais pensar nela , e me punir por ser um merda. Pensar nela , ver sua foto e sonhar com aquele célebre momento é meu único momento de alivio nessa vida. Eu já tentei ser otimista, fui lá naquelas merdas daquelas agencias que nos tratam como animais submissos e inferiores a um examinador que não tem cultura nem pra ter completado o primário. Eu sei que não vou morer de fome Caio, a vida se renova e algo vai acontecer pra que pelo menos eu não me afogue num balde de merda. Ainda tenho você meu caro amnigo que tanto prezo. E agradeço-te por tamanha preocupação para comigo. És uma luz nesse mundo de trevas, agora tenho que ir.
Me levantei , mas o Caio me fez pensar, já havia se passado metade da minha vida, afinal com a vida que eu levo eu morreria naturalmente de sirrose aos 50 anos e eu não tinha rumo nem lugar pra cair morto. E o que é pior, eu não queria ter. Só sabia sofrer por ela , imaginar o que tinha feito de errado e me martirizar por isso.
Uma época imaginei que conhecendo outras pessoas eu poderia esquecer que a amava. Ilusão idiota, achei que gostava de outra pessoa, mas como 91 por cento da população mundial acabei gostando de uma pessoa escrota que mais uma vez como no retrato em branco e preto que é a minha vida, ela me sacaneou.
Mas eu não sofri por isso. Sofri e sofro pela saudade que ainda come as minhas entranhas e me faz sonhar com seus lindos escuros cabelos. a mais bela flor do mundo por mais que hajam flores mais belas. A mais bela voz do planeta , mesmo com com Billie Holiday, Nina Simone, Etta James e Elis Regina explodindo com seus dons.
Mas havia perdido, a melhor coisa que me aconteceu eu consegui transformar em dor como faço com tudo.
Queria não ter lido na infncia alguns livros que me provaram que a psicologia e a psiquiatria só fazem piorar esse tipo de loucura.
Só queria poder comer pela manhã, ir a um emprego escravista e voltar cheio de fome pra comer a noite e dormir o sono dos justos.
Mas não era justo eu conseguir dormir bem. Eu e meus cigarros apertados com seda e guimbas de cigarros já fumados.
Já eram 4 da manhã, e eu não iria pra casa, eu ainda tinha mais ou menos 10 reais pra beber sozinho e era isso que eu ia fazer. O alcool podia me matar lentamente junto do cigarro , mas era o meu analista mais barato.
Eu, um imbecil inseguro que na verdade queria que existisse dentro dele um genio e que este a fizesse voltar.
Mas eu não podia nem pensar na possibilidade real de bolar o perfeito plano de traze-la de volta e dizer que eu poderia ama-la ao máximo todos os dias da minha vida.
Mas acredito que isso não valha nada, eu não sou genio e as madrugadas de agonia jamais acabarão.Porque eu não quero que acabe.
Eu gosto de sofrer , sou viciado em sofrimento e mesmo se ela voltasse eu arrumaria um jeito , uma razão pra sofrer de novo.
Finalmente descobri porque me apaixonei tanto por ela , porque ela me deu a possibilidade de trocar todo esse belo e sádico sofrimento por um perfeito beijo de amor, perfeitos momentos recheados das maiores belezas, e isso, acredito fielmente nesse momento que jamais conseguirei de novo, pois seus olhos não saem da minha cabeça.
Comprei um vinho e a vã do 410 já me esperava no ponto do gramado. Eu ia me sujar bebendo no banco de trás com todos aqueles solavancos., mas porém isto não importava tendo em vista o fato de eu ser o mais sujo e negro dos seres.
Eu praticamente a obrigo a me amar por causa do forte amor que sinto e isso é imperdoável.
Eu não a mereço.
Mas mereço esse vinho barato e as manchas que ele vai deixar em minha camisa.

Wednesday, May 05, 2010

Jacob e os seus chorões

- O mãe! Vem ver o garoto que nasceu sem cérebro na televisão
sem cérebro na televisão!
- Não tem ninguém sem cérebro na TV Pedro
Pedro não respondeu.
Sonia sua mãe preparava o jantar ainda um pouco mal humoradasem conseguir superar completamente a monotonia que era a sua constante vida. Acorda faz o café, o almoçola a louça , leva o pedrinho no colégio, volta , lava roupa, passa roupa, ve a novela, e os programas de fofoca, as vezes fala ao telefone e antes de Jucilei chegar ela faz o jantar, traz de volta o pedrinho da escola , o obriga a tomar banho, o convencia a não ter um cachorro. . .
Jucilei havia chegado em casa, tava puto com alguma coisa.
- Papai ta passando o bebe que nasceu sem cérebro na televisão
- O caralho responde Jucilei
- Não fala palavrão com ele jucilei! - Reclama Sonia
- Vai tomar no olho do cú - Responde Jucilei
- Porque você está falando assim?
- Porque trabalhei pra caralho pra não poder falar palavrões , vai pra puta que o pariu!
Magoada Sonia foi a cozinha, pegar as coisas pro jantar e para preparar a mesa.
Pensava que ainda teria que comer, tirar a mesa, lavar tudo, arrumar o quarto do pedrinho que tava uma zona, ver a novela, o futebol por causa do marido, tomar banho e ficar bonita e cheirosa, foder, pegar alguma coisa pro comer para o seu marido pq ele gostava de comer algo após foder, e finalmente tentar dormir.
Nada mudava, sempre a mesma vida , sempre as mesmas palavras e o mesmo sentimento. Ela jáo detestava, o odiava muito.
O Jantar foi sem conversas. Jucilei estava puto, nessas alturas Sonia também e pedrinho só falava do bebe sem cérebro que passou no canal 6.
Ninguém quis saber dessa merda e o mandaram calar o baca correndo o risco de ficar de castigo ou tomar umas porradas do pai.
Sonia tentou coloca-lo pra dormir , mas ele queria jogar video game , ela queria que sua vida acabesse logo e ele querendo jogar video game , deu-lhe até o fim da novela pra que jogasse.
Foi ver a novela, sozinha, pois Jucilei saiu sem dizer para onde ia.
Deve ter ido beber ela pensava.
A novela era a mesma coisa que se via em todas as novelas. Contos de amores que parecem impossíveis e acontecem por um milagre no final feliz. O vilão ou morria ou era preso. Ou não era mesmo ele o vilão.
Sempre havia um casamento e todos os casais que terminavam juntos se amavam completamente. A como era bonita a vida. Ninguém nunca morria por um acaso como nós e as balas que acham nossos corpos diariamente.
Ela terminou.de ver. Não queria ver o futebol , finalmente poderia ver o programa novo da Luciana Gimenez, ele era linda. Se vestia bem. Tinha estilo.Nunca poderia ser assim.
Mas Sonia era bonita. Foi miss na pequena cidade de Trindade em Goías onde nasceu.
Ela já cultivou sonhos pessoais. Quando pensava neles seu marido Jucilei chegou.
A beijou como há muito tempo não beijava. Arrancou as suas calcinahs com raiva e sem estimula-la para que ficasse molhada, enfiou o seu caralho enorme dentro da sua boceta. Ela de pernas abertas no sofá era penetrada com força. Seus olhos viravam quando a força da estocada aumentava.Ficou meia hora desta maneira até que colocou a sua pica na boca de Sonia. Ela cupava e ele enfiava com força. As vezes batia na garganta e ela tossia. Ele gostava quando acontecia isso. Quando sua pica tava bem molhada ele a encravou sem piedade no seu cú , ela berrava como uma louca. Ela segurava as pernas e ele tinha uma velocidade impressionante.Fudeu duas horas sem parar, gozou varias vezes no seu cu e continuou. A ultima gozou toda a sua cara. Daí depois da foda Sonia lembrou porque havia se casado com Jucilei.Foi ao quarto de Pedrinho e ele já dormia, ele havia deixado a TV ligada.
Ao acordar de manhã lendo a parte que falava da TV viu que no programa do João Cléber levaram um bebe sem cérebro ao programa e que o mesmo estava sendo processado.

Monday, May 03, 2010

Shylock

Acordo pra mais um dia. Juro que as vezes preferia não acordar. Preferiria o sono eterno ao marasmo que toma conta de mim. Minha vontade excessiva de não fazer absolutamente nada a não ser esquecer que a vida e suas nuances existe vai me guiando em prol de uma loucura semi-completa. Mas ainda consigo me levantar , segurando nas paredes , pra elas não cairem em cima de mim. Precisava de um emprego mas onde tinha ido a minha coragem? A minha força de vontade? Precisava resgatar minha inteligencia quase suprimida pela tristeza constante. Precisava agir.
Peguei a minha velha pasta de currículuns e fui ao centro entrega-los, vendendo a minha alma, trocando os meus sonhos por algumas migalhas por mes. Porém ,eu precisava viver. A sobrevida ia durar para sempre se eu não me esforçasse para pelo menos sair daqui. Desse mundo de trevas e ilusões, que segue em enganando e dominandoa minha existencia. Mas uma vez o coletivo era lotado de pessoas mal-humoradas. Dava pra sentir o cheiro de frustração no ar. Do motorista ao menino sem sapatos que dormia no último banco. Todos pareciam ter um semblante cansado. O transito é brutal , os malucos de tão mal humorados não paravam de buzinar, eu sentia-me quase despreparado pra isso tudo , na verdade, esse caos urbano era demais pra mim. Eu tinha medo disso tudo , dessa imensidão, por mim , ficaria dentro do meu quarto desviando da dor , da fome, da raiva e da falta de civilidade que vemos , cada vez mais , o fenótipo do estressado raivoso vai se proliferando. Saltei na Uruguaiana e andando cheguei na Rua dos Andradas. Acendi um cigarro e esprei o horário da minha entrevista, era mais uma tentaiva de trabalhar como telemarketing , o que pra mim era até de certa forma conveniente, um emprego facil, que te torna ocupado e na medida do possível era até suportavel. Via as pessoas. Pra mim todas melhores e mais confiantes que eu. Todos pareciam saber exatamente o que fazer ali. Eu esperava calado , evitando contatos e visto como estranho como sempre. Eu tinha medo até da mediocridade. Nem mediano eu achava ter condições de ser, mas eu precisava fazer alguma coisa. Quando chegaram os examinadores mandaram-nos ler a seguinte frase:
- O funcionário teve problemas com o registro.
Muitos ali não pronunciavam um portugues suficiente bom. Eu observava com tristeza as pessoas nervosas e tendo que passar por esse constrangimento, por não terem tido condições de aprender, por culpa do estado , da desilgualdade ou delas mesmas, era torturador ver isso.. Ouvia coisas como rezistro e pobrema. Via que muitos ali como eu estavam também inseguros e desesperados.Dessa prova passei juntamente com umas dez pessoas. A maioria delas meninas que aparentemente tinham uma boa condição financeira mas estavam ali porque o pai milionário obrigou. Outros não estavam preocupados por já conehciam o pessoal do RH e sabiam que iam ser encaminhados. Na segunda prova, esta escrita, tinhamos que responder questões primárias de matemática portugues e conhecimentos gerais. Me senti confiante até. Tenho a total certeza de que acertei a prova inteira, e eu e qualquer garoto de 12 anos, ou um macaco treinado. Mas dessa prova só passaram uma das meninas bem vestidas fantasiadas de Lady Gaga, eu, um negrão muito preucupado também e os que já sabiam que iam passar. No terceiro exame, uma redação o negrão saiu , visivelmente arrasado e eu consegui passar. Ao final houve uma dinamica, e no fim dela me disseram que eu não tinha o perfil da empresa mas que tinha ido bem nos exames e eles me ligariam para um outro produto. Pude apurar que passaram os tres que já sabiam que iam passar e que eram cumprimentados por seus amigos examinadores. Saí de lá , mas não me entristeci. Já estava tão acostumado que as lágrimas secaram e não conseguia sentir mais nada. Tinha 10 reias ainda e resolvi tomar uma cerveja e comer um pastel. Ao terminar peguei o transito podre da volta pra Tijuca e desliguei meu cérebro novamente. Em casa, o disco Wish Your Here do Pink Floyd fez com que eu ainda me divertisse. Amanhã seria um novo dia para a frustração , conseguindo um emprego ou permanecendo na inexistencia. O que aparecer eu estou aceitando, pois já não tenho esperanças com relação a nada. Fui ao mercado, comprei um vinho e dividi com ele o nada que eu tinha a oferecer.