Vini e o mundo paralelo

Tuesday, March 30, 2010

Outsiders

Pela primeira vez vou copiar o texto de alguém e posta-lo aqui.
Mario Bortolloto

Outsider: Quem não se enquadra
A figura do outsider. Do cara que não se enquadra. Do sujeito que não faz questão de pertencer a nenhuma turma. O cara que no colégio sentava na última carteira, não falava com ninguém e ia embora sozinho. Havia algo de muito maneiro em figuras desse naipe.
Numa sociedade onde qualquer babaca quer virar celebridade, a figura do “ninguém” sempre me pareceu o melhor modelo de vida. E aqui não vai nenhuma pretensão estilosa do tipo “é legal ser diferente”. Porra nenhuma. O que eu penso é que simplesmente “ninguém precisa ser igual”.Cada pessoa devia andar por aí rezando pela própria Bíblia, ou seja, fazendo suas próprias leis e fazendo uso de seu livre arbítrio. Mas não é o que tem acontecido.Assisto sem nenhum entusiasmo e com bastante perplexidade aqueles filmes americanos de turmas de universidade com aquelas indefectíveis fraternidades onde o cara passa por uma coleção inimaginável de humilhações apenas com o inacreditável intuito de ser aceito em uma fraternidade de babacas. Não é muito diferente das merdas dos trotes universitários brasileiros. Babaca não respeita geografia.
Fico imaginando o que leva uma pessoa a essa necessidade doentia de ser aceito. E com o tempo me parece que em busca de aceitação as pessoas têm se padronizado de maneira assustadora e alarmante.Hoje em dia a rapaziada usa piercing, tatuagem (não que eu tenha exatamente nada contra o uso de piercings ou tatuagens, mas é que parece que grande parte da molecada começa a usar apenas numas de copiar outra pessoa e aí é esquisito), o mesmo corte de cabelo, gosta das mesmas músicas e das mesmas roupas e emprega as mesmas expressões (“Galera”, “é dez”, “é show”, “baladinha” e outras que eu não consigo sequer repetir aqui sem ter o meu estômago revirado) e aí ele se sente parte de alguma coisa, é compreendido e aceito e não vira motivo de zombaria entre os demais, justamente por não ser diferente.
Então o que acontece é muito simples. Se o sujeito tá num grupo onde o lance é odiar alguém, seja quem for, pode ser negro, viado, gordo, mulher ou o Mico-Leão Dourado, então o cara vai passar a odiar, ele nem sabe o motivo, é que a turma odeia e ponto. E se a turma pinta o cabelo de azul, então o panaca pinta também. E se a turma acha que é legal praticar artes marciais pra sair dando porrada em desavisados noturnos, então o cara automaticamente se inscreve numa academia e sai de lá o mó Steven Seagal.E acha legal sair de carro com uma piranha oxigenada (esses caras sempre andam com piranhas descerebradas que são apreciadoras de bravatas intimidatórias) e provocar o primeiro sujeito pacífico que eles cruzarem pela frente. E vai ser providencial se eles pegarem pela frente um carinha com um livro do Kafka no ponto de ônibus. Esses caras nutrem um profundo ódio por qualquer sujeito que consiga articular mais que duas frases inteligíveis. E as suas piranhas são as primeiras a aplaudir o massacre.
Não tô aqui querendo de maneira nenhuma desmerecer o trabalho de alguns professores de artes marciais que sei o quanto são sérios e dignos. Mas é que sem a devida orientação eles estão criando um exército de babacas extremamente perigosos.E é claro que a mídia e a publicidade incentivam irresponsávelmente esse estilo de vida. Elas querem todo mundo comprando e consumindo as mesmas coisas, coisas essas que eles fabricam em larga escala para atender a demanda desenfreada.
Numa novelinha como Malhação, só pra citar um exemplo bastante óbvio, a impressão que fica é que o roteirista escreveu um monólogo e depois distribuiu as falas entre vários personagens. Não há diferenciação de personalidade. Todos falam as mesmas coisas, do mesmo jeito e usando as mesmas expressões. Em resumo: fique igual e permaneça legal.Há um processo de idiotização total e irrestrita avançando a passos largos. E essa busca pela padronização e no conseqüente status mediano (estou sendo generoso com esse “mediano”) que as pessoas têm alcançado ganhou por esses dias duas novas forças de responsa.
A MTV “onde é que estão os clipes, porra?” estreou dois programas que são verdadeiras aberrações. O primeiro deles é o tal Missão MTV onde a Modelo Fernanda Tavares totalmente destituída de qualquer coisa que possa ser chamada de carisma, apesar de bonitinha (é o mínimo que se pode esperar de uma modelo) é chamada para padronizar qualquer sujeito que não esteja seguindo as regrinhas do que eles chamam de “bom gosto”. Então se uma garota não fizer o gênero patricinha afetada, então ela automaticamente está out e a missão da Fernanda é introduzir a “rebelde” ao mundo dos iguais.E dá-lhe o que eles chamam de “banho de loja”. Se o cara usa roupas largas e o cabelo sem uma preocupação fashion e ainda se diz roqueiro, então eles transformam o coitado num metrosexual glitter afetado e por aí vai. Parece que a mulher vai dar um jeito no quarto de um sujeito. Ela diz que tá tudo errado no quarto do cara. Como assim? É o quarto dele, porra. Enfim, é proibido ter estilo. Quem não se enquadra, sai de cena. Em resumo, um programa vergonhoso.
Mas o pior ainda é o outro: O inacreditável e assustador Famous Face. Sacaram qual é a desse? Uma maluca encasqueta que quer ficar parecida com a Jeniffer Lopez ou com a Britney Spears e tal estultice é incentivada. Em resumo, a transformação é filmada e testemunhamos a verdadeira frankesteinização sofrida pela pobre iludida. Ela se submete à operação plástica, lipoaspiração e o caralho. Chega a ser nojento. Eu não entendo qual é a de um programa como esse. Será que a indústria da cirurgia plástica tá precisando de uma forcinha? Eu duvido. Nunca vi se falar tanto em botox, silicone, lipo e outras merdas. Todo mundo tentando evitar o inevitável. Todo mundo querendo retardar o tempo incontrastável. Vivemos cada vez mais em uma gigantesca e apavorante Ilha do Dr. Mureau. Foda-se Dorian Gray. Eu sou bem mais as rugas de Hemingway.
*O texto acima é de autoria de Mário Bortolotto, foi originalmente publicado no blog dele: Atire no Dramaturgo.

Monday, March 22, 2010

Blind Melon

Os problemas do meu país
já não podem me afetar
Toda luta, meus ideais
morreram sem me avisar
Os amigos, o mesmo bar
não podem mais me alegrar
Desemprego, o amanhã
não vai mais me preocupar
Os meu sonhos, minhas razões
se perderam no seu olhar
A falsa diversão
deixou-me sem me sedar
Sem ela, Sem ela
não tenho mais lugar
Sem ela, sem ela
não há luz pra me cegar
Sem ela, sem ela
não consigo mais me enganar
Os protestos contra todo o mal
fizeram-se calar
Esperanças o mundo anormal
não conseguem me inspirar
As palavras, minha redenção
não dançam mais pelo ar
Meu talento, meu coração
inexistem no imenso mar
As duvidas, sobre ti
que nem eu sei mais explicar
Vou-me embora, não há sorrir
com a tristeza a me guiar
Sem ela, sem ela
não tenho mais lugar
Sem ela, sem ela
não há luz, pra me cegar
Sem ela, sem ela
não consigo me enganar

Agitation Free

O seu quarto fedia. Pensava ainda no ultimo amor perdido. Enlouquecia sozinho, nada que o satisfazia anterioremente tinha mais esse poder.
Ele andarilhava pensando. de um lado para o outro. Seu quarto estava sujo , cheio de coisas que a no planejava jogar fora e nunca o fazia. Ela ainda maltratava seu coração, mas nãi tinha culpa, talvez nem soubesse a forma avassaladora que o tinha atropelado. tinha que arrumar um emprego , algo pra s o cupar, seu dinheiro estava no fim e ele ainda não sabia como caminhar. Seua prenseça se prendia a quele querto ,como um criminoso, crimes contra si mesmo.
Estava ansioso, sabia que a rua ainda era mortal, ainda não representava a ele nenhuma fonte de alegria. Nenhuma satisfação. Mais enfim precisava sair. Vestiu roupas maltrapilhas. Foi ao espelho e tentou ajeitar seus cabelos, mas eles não tomavam forma. Seu rosto estava com a fisionomia cansada de tanta tristeza.
Meu Deus - Pensava - O que eu fiz pra sofrer tanto , não sou tão pior que as outras pessoas.
Saiu sozinho , o vento da madugada machucava o seu rosto , o relógio marcou duas e meia da manhã e tinha dez reais emprestados a um amigo. Os amigos haviam sumido. Cuidavam de suas próprias coisa e ele não os culpava. Também faria a mesma coisa se precisasse, se sentisse vontade.
Andando pela São Franxisco Xavier observava pessoas dormindo no chão. Com um papelão que servia de cama. Alguns ainda acordados ruam , compartilhavam um bujãozinho de caninha da roça. Eles pareciam felizes, muito mais sorridentes que ele.
- Porque? - Pensava
Eu ainda tenho um lugar pra morar, sempre lutei contra a ignorancia e as pessoas me valorizavam. Euera bom , era intelugente, engraçado... O que houve comigo meu deus?
Ilumine-me, não posso mais suportar essa dor.
Ele rezava, masseus pedidos ao senhor eram confusos, ele não sabia o que queria, só sabia que aquele aperto no peito tinha que parar ou uma corda e uma cadeira seriam seus únicos aliados na luta contra a dor.
Achou um bar, quase vazio.
Um vegetal estava sentado em uma das mesas com a garrafa de cerveja quase cheia, dormia enquanto seus perdigitos saiam pelo canto da boca. Pediu um conhaque com guaraná e sentou em um banco no bacão. O balconista tinha uma fisionomia também cansada, estava de saco cheio de tudo.
Ele pensava no que poderia encontrar naquele bar, tinha um filme enlatado na TV que não o interessava , o ser que dormia e o balconista do bar que o serviu sem dizer nenhuma palavra.
Se entregava aos pensamentos.
Eu poderia ama-la mais do que qualquer outro, eu sei que ela podia me amar também se eu tivesse mais uma chance, eu sei que não sou grande coisa mais a amo, mais do que tudo . Isso não vale nada!!!
Algo de psicótico o invade e ele grita palavrões e socao balcão, o balconista finalmente se manifesta.
- Escuta aqui seu filho da puta, seu maluco, não venha com gracinhas no meu barou eu vou te furar todo , bebe essa porra e fica quieto.
- O senhor nunca sofreu por amor?
- Se você sofre não é da minha conta , se eu já sofri também não lhe diz respeito, bebe essa porra senaõ vou te mandar embora daqui...
- Me desculpe senhor, eu sei que deve ser duro aturar alguém como eu a essa hora, o senhor já deve estar cansado desses loucos no seu bar, mas eu não sou louco e prometo-lhe não fazer mais isso.
- Mermão cala essa boca , você está me irritando , eu quero ver a merda do filme , eu não quero saber o que se passa na sua vida porra!!!
Mais uma vez ele ficava sozinho com seus pensamento , a falta de perspectiva, a falta de dinheiro e a falta de consideração não o afetavam tanto.
Mas a falta dela o machuva demais , fazia-o agir estranhamente, como nunca antes. Ele tentava parar de pensar e não conseguia. Seu drink esquentava e ele não conseguia mais beber.
Saiu do bar. Foi até a boca de fumo mais próxima e comprou um baseado. Os traficantes não eram pessoas de fácil acesso , não era muito bom conversar com eles, as pessoas que lá estavam estavam tão doidas de crak que só sabiam pedir dinheiro a falar coisas sem sentido, isso o irritava, sempre se considerou um ser inteligente, e usando essa inteligencia conseguiu um guardanapo pra usar com seda pra apertar o fumo. Dividiu-o com um ser sem alama que nada falava , só dava algun gemidos sem sentido e ao final da execução do baseado pediu se podia lhe fornecer a ponta pra que ele fumasse com crack. Ele deu em troca de mais um pedaço de guardanapo. Apertou outro back e desceu a Barão de Itapagipe fumando , sem se impotar se haveria de passar um carro de polícia ou alguém que se sentisse agredido.
Desceu a haddock lobo e pegou a são francisco xavier ainda fumando. Lá existia um poligono da PM ,mas de madrugada não havia nenhum policial ali , sabia disso.
O baseado o tornou mais ausente. Relembrava os bons momentos com a sua amada e isso o fazia sorrir sozinho. Rumou pra sua casa novamente comum pouco de esperança e com a dor no peito um pouco reduzida. Conseguiria dormir. Conseguiria um pouco de paz. Durante algum tempo.
Ao chegar bebeu dois copos d´agua e deitou sem camisa , suportando o forte calor do se quarto.
Seu ventilador havia quebrado

Tuesday, March 16, 2010

Dark

Eu estou aqui.
Procurando qualquer forma de satisfação.
Qualquer coisa que afaste a amrgura do meu peito, amargura proveniente de quem gosta.
E não pode estar com quem se gosta.
Não pode nem saber se ama, mas ama, e prova seu amor.
O pensamento nela não vai embora, e essa vontade de ve-la, de lhe falar qualquer bobagem mesmo que a distancia, suprime qualquer outra.
Quem sabe ela consiga me ouvir se como um louco eu a transferir toda a minha racionalidade?
Quem sabe se ela ainda pensa em mim.
E fico aqui. Esperando pra ver se ala aparece , sem vontade de dormir ou de fazer qualquer outra coisa. Se ela viesse, falsse pra mim nem que fosse um oi, eu estaria mais feliz.
Não sei como me deixei ficar assim. Tinha prometido pra mim mesmo ser uma barreira de pedras.
De jamais me deixar morrer de amor outra vez.
Tinha outras importancias e um escudo forte.
Bobagem.
Eu à vi poucas vezes e ela já saiu quebrando todas as minhas defesas, me fazendo o mais fraco e submisso ser.
Porém o mais feliz de todos os seres.
Com tuas palavras.
Com teu olhar voltado pra mim.
Ninguém foi mais feliz do que eu.
Eu era a criança que ainda não havia se esquecido de como sorrir, com seu lindo rosto na lembrança.
Eu fico assim.
Com medo de falar muito e te assustar.
Me achando chato e bobo quando falo com você.
Fico sem graça.
Com receio de escrever a coisa mais bonita que eu conseguir para você.
Você não sabe o que penso disse uma vez pra mim.
E tem razão não sei.
Jamais saberia.
E a única coisa que sei é que tenho vontade de te abraçar, de sentir a tua boca de novo.
De ver você sorrir. Visão sublime de beleza.
Eu sou apenas um poeta, que nem é muito bom com as palavras.
Confuso, mal-humorado e por muitas vezes triste.
Sem destino e sem lugar.
Você tão maior que eu, tão mais viva , sabe muito mais o que é o viver.
Eu só sei sonhar, sonhar com o dia em que possa olhar nos teu olhos e tentar te dizer o que eu sinto, coisa que nem sei direito determinar o que seja.
Eu sei , me viu feliz.
Tentei te mostrar o melhor que existe em mim.
Tentava te impressionar?
Certamente que sim.
Mas não consegui.
Te mostrei o melhor de mim quando agi naturalmente , quando você me tirou as mordaças do peito e me fez livre.
Pediu-me pra não agradecer-te.
Disse me querer pelo menos uma vez e esse dia não saiu mais da minha cabeça.
Do meu coração.
Os melhores amores doem demais, já diziam vários poetas.
E este confirma essa máxima.
Pois se dor de saudade dignifica um amor,
o meu é o mais forte de todos.

Wednesday, March 10, 2010

Eclipse

Espera contínua
Eterna ignorancia
O estar obrigado
onde não se quer estar
Cabeça sedada
Mecanicismo
Assassinos furtando mentes
matando as pessoas.
que ainda ficam vivas
Depois de mortas
na rua mórbida
na fila dos desesperados.
Do não interesse
Da não importancia
Da falta de vida.
Voraz necessidade
do homem traído
Que vive inserido na desilusão
Necessidade de vida.
Da corrida pelo pão
Trocado pela vida
Morrer ou estar vivo?
Viver e estar morto?
O que escolher então?
Não há escolha.
Não há saída.
A cegueira da visão
Da falsa alegria
O homem frustrado
é o bom cidadão
Vivo ou não.

Monday, March 08, 2010

Irish Cofee

Dinehiro é um pedaço de papel,
E o céu? Quanto vale?
O sofimento do seu amor, não se vai, não se vende.
Saber do errado não vai mudar, e o que há, não se muda.
Pois compram tudo , o seu lugar, sua saúde, sua mente.
Mas vai passar
Eu pelo menos não vou parar de lutar,
de forma incessante, tristeza ignorante, que me faz tão forte como nunca antes.
Sedado eu sei que eu posso estar
pois não há, escapatória
Ou enlouquece ou tenta viver
sem razão, sem memória
Te empurram e dizem vai lá viver.
é tão bom é tão fácil.
Mas o que fazer com dor de ser?
De viver? É inexplicável?
Porque será?
Que só tento mudar o que não pode mudar?
Porque será?
Que a vida me inexiste? Que fico assim tão triste? Que tento me ausentar mas essa dor persiste?
Só que é loucura continuar?
Como está
Não em entendem.
Talvez não saiba mas me explicar, estou mal, bem doente
E só esperar
Quem sabe um belo dia eu ache algum lugar
pra respirar
Do mundo inteiro preso, com o sol ainda aceso, nós somos obrigados a viver com medo.
De ser.
Pra que ser algo a se respeitar se eles não te respeitam?
Pra que viver e tentar sonhar?
Se não há, mais nenhum jeito
De realizar
Hoje nem sabemos mais no que pensar
Nem onde estar
Pra que a ansiedade, toda nossa maldade, equalize-se num poço de tranquilidade.
Não há.
Eu sei você pode até me dizer,
És o mal,
pessimista
Mas fato é é que cansei de esperar
minha dor, egoista.
E sem pensar.
Eu continuo andando pra qualquer lugar.
Pra não chorar.
Cansei de viver triste, meu mundo não existe, coitado desse homem que nunca desiste.
Sou eu.

Wednesday, March 03, 2010

Radiomφbel

- Porra Hélio, não ta dando mais te aturar, você vai acabar perdendo o emprego as pessoas não te aguentam mais quando bebe!
- E eu não as suporto sem estar bebado!
- Mas Hélio, pensa na sua carreira, você encheu a bunda de whisky e chamou a mulher do principal investidor da nossa empresa de piranha, DE VAGABUNDA!
- Mas ela é, ficou roçando na minha perna durante o almoço, e aquele decote não engana ninguém.
- Assim não dá Hélio, vou ter que te afastar da empresa, é um exelente funcionário, mas se eu não te punir nego vai achar que essa porra é bagunça.
- Sabe o que você faz então? Enfia essa porra de trabalho no cú, eu to fora!
- Você ta precisando de ajuda Hélio, ta ficando maluco.
- É um absurdo vocês quererem punir as pessoas por dizerem a verdade, quando comecei aqui, este era um jornal de vanguarda, que não abria o rabo pra ninguém, vocês nem dinheiro pra me pagar tinham e eu escrevi dois anos nessa porra de graça e funcionário é a puta que te pariu, eu sou um escritor, um escritor do caralho. Pega essa miséria e enfia no cú dos seus investidores, e vão ver, vão se foder sem mim. Aqui só tem esses viadinhos de óculos fundo de garrafa que escrevem como se estivessem fazendo uma tabela de preços de mercado, e você lambe o rabo deles, quer saber de uma coisa Freitas? Vai se foder!
- Hélio pegou suas coisas e foi embora. Seu apartamento era mais fedido que a sarjeta, mas ele se sentia bem lá. Sempre fora muito orgulhoso, sempre se achou o mais genial de todos. Era como se as outras pessoas tivessem um andar abaixo.
Chegou , foi ao banheiro e passou uma água na bunda , já que não limpava o cú a algum tempo e estava coçando de forma demasiada. Ligou aTV e desligou em seguida, ligou o radio e não achou nada, desligou também. Leu alguma coisa dos outros escritores, mas achou tudo uma merda, falso, sem alma, apenas uma coisa escrita com a intenção de dar certo , de ganhar dinheiro, de se obter fama.
Hélio sempre achou que o verdadeiro escritor escrevia pra si mesmo, nem que se fodesse eternamente, não existia preço mesmo pra sua arte. Estava acima de Deus. As palavras dançavam em sua frente e com elas podia fazer o que quisesse, sempre soube disso, nos dias de solidão , nos momentos de quase morte, sabia que seu talento era muito maior que os outros.
Não aguentava mais o tédio, viu a sua carteira e não existia nela nem um real pra uma cachaça barata. Sentou numa calçada da Men de Sá embaixo do seu prédio e com um bloco e uma caneta começou a vender poemas, sobre qualquer coisa, qualquer assunto que quisessem, afinal era um genio, escrevia sem esforço. Quando arrumou 10 reais, foi tomar cachaça com um mendigo amigo seu, o Elias.
Elias era tão crackeado que o que dizia não fazia muito sentido. Era seu melhor amigo.

Tuesday, March 02, 2010

Cream

Minha vida não andava, era um trem parado , uma baita cagalhão que entupia o vaso. Eu não tinha perspectiva alguma de sair do lugar e nem vontade, a a depressão fechava as minhas portas e fazia com que eu não tivesse iniciativa alguma apara as minhas atitudes, alías não tomava atitude alguma. Eu era mais um vegetal, ali triste parado vendo um desenho do pica-pau na tv e fingindo ri, pra que a vida me parecesse boa.

Leandro me liga as duas horas da tarde me chamando para trabalhar na campanha de um candidato neocentroesquerdista de direita. Como eu tava mais duro que uma mesa de mogno, daquelas que você sempre fode o dedo mindinho, resolvi aceitar o emprego.

Cheguei com Leandro num galpão cheio de papéis de parede com engravatados sorridentes e com a grana que eles levam era natural que sorrissem.

Pelo que foi explicado e o pouco que me era necessário entender, eu iria ganhar 30 reais para ficar o dia inteiro segurando um galhardete do candidato Jarbas Vasconcelos do partido democrata evangélico, o PDE. Eu nunca fui filiado a nenhum partido, portanto não iria ferir meu ideal político ajudando mais um safado a ter seu rosto divulgado pelas ruas do rio, portanto resolvi aceitar e ganhar meus trinta reais por dia. Trouxe o enorme galhardete atabalhoadamente no ônibus e fui ao local aonde tinha sido designado ficar, A Praça Sães Peña . Chegando lá, em frente o metro, coloquei o rosto sorridente virado de frente seguindo o modelo de outros que lá existiam, quando um negão me disse.

- Coe mermão, aqui, é a área do José de Freitas tira isso daí agora.

- Po eu sempre achei que as ruas do rio pertencessem há todos.

- Coe mermão, se é algum tipo de engraçadinho, tira essa porra daí agora.

- Po amigo, eu nem conheço esse maluco, nem o outro que você falou, eu só quero ficar segurando esta merda pra ganhar trinta reais.

- Foda-se o que você quer, tira essa merda daí agora.

- Sinto muito, mas não vou fazer isso. . .

O negão saiu andando e bufando, voltou cinco minutos depois com uns cinco caras fardados que já vieram me indagando:

- Você sabia que é crime colocar esse galhardete aí?

- Po até sabia, mas aqueles outros dez ali da frente também não são?

- Aqueles ali são do José de Freitas

- E daí?

- Tu ta se fazendo de maluco, eu to mandando você tirar essa porra daí agora, ou vou te levar em cana.

- E não vai leva-los também ?

Nisso levei uma porrada na boca e fui chutado pelos guardas e pelo negão, me colocaram numa viatura e eu fui para delegacia.

Estou aqui há uma semana sendo acusado de crime eleitoral. Muito bom pra mim que tenho nível superior e, por conseguinte me alimento bem, tenho sky, ar condicionado, Dvd, playstation 3 e internet banda larga. Às vezes até me chega um baseado pelos guardas que são legais. A gente vê o jogo no premiere juntos e ainda tomamos umas cervejas geladas. Então, dedico esse manuscrito ao senhor Jarbas Vasconcelos, que o seu sorriso franco e puro ilumine a vida de outros bacharéis vagabundos e desocupados como eu! E que deus seja louvado !

Monday, March 01, 2010

Biglietto per L'Inferno

Ela linda com seus vestidos
Eu com minha velha e surrada camisa do Floyd
Ela me dizendo gentilezas
E eu me achando a pior pessoa do mundo
Ela fazia o mundo colorido
E eu sem sair da escuridão
Ela sempre sem medo
E eu com um instinto de proteção
Ela fumando um back
E eu querendo fumar outro
Ela calada me ouvindo
Eu dizendo inteligencias
Ela transmitindo paz
E eu preso em ansiedades
Ela dançava tão bem
Eu balançava a cabeça
Ela me abraçava
Eu sentia o céu caindo sobre mim
Ela tinha o beijo mais doce
E eu as pernas tremulas
Ela ria das piadas
E eu as contava feliz
Ela esperava os onibus
E eu os deixava passar
Ela levou todo o sol
E eu fiquei com a cidade gelada
Ela no show da sua vida
Eu com a dor no meu peito
Ela enfim, foi embora
E eu não sei o que fazer direito
Ela talvez nunca saiba
E eu não direi a verdade
Ela fez uma viajem
E me trouxe a felicidade.
Ela continuará linda
E eu ...
Pude sorrir de verdade

Obrigado Naty,
Por tudo