Vini e o mundo paralelo

Thursday, February 25, 2010

Eela Craig

O quarto e eu fedíamos igualmente a birita, e não havia mais motivos para se manter vivo, porém, isso nunca havia mesmo, mas o que diminuía muito a minha porcentagem de sobrevida era ter que atender a porta às quatro da manhã com o Severino, o porteiro, gritando:

- Caralho ta tudo pegando fogo sai correndo daí.

- Que se foda meu apartamento é alugado e não tanho mais motivos pra viver.

- Vinícius seu idiota, maluco, não tenho mais tempo, ta tudo em chamas seu miserável.

E lá estava o Severino me proferindo verdadeiras e sabias palavras, não tinha animo nem pra me salvar, era tudo um mar de merda insossa que só machucava e deprimia, era um livro já lido dez mil vezes onde as dez mil páginas eram todas compostas de palavras repetidas. Era só derrota, derrota, derrota, derrota. O que restava pra mim? Nada mais que o calor da morte. Quem sabe se o prédio desmoronasse a minha morte teria a notoriedade do RJ TV de manhã? Eu seria famoso:

“MORRE MÚSICO E POETA EM INCENDIO NO RIO DE JANEIRO”

Ah era a glória! Comecei a me alegrar e ataquei um whisky que era a única coisa que restara na distancia.entre a vida a morte, de que jeito eu morreria? Seria a boa eu me matar antes de algum jeito? O melhor seria a over, mas eu não tinha dinheiro pra drogas suficientes e meus remédios haviam acabado. Pensei em me enforcar, pois me parecia lindo, mas não tinha corda. Também, meu quarto era a dispensa, um armário, uma cama e uma privada que eu usava pra cagar. Eu podia chocar minha cabeça contra a privada, mas podia não dar certo e doer. Pensei também em me afogar, mas eu detesto água, sempre preferi cerveja, e depois revendo meus conceitos, me jogar da janela ia me delatar como o covarde suicida que eu de fato era. Não! Eu precisava de uma morte gloriosa que só o caos poderia me dar. O fogo, a paixão e o medo, três dos mais fortes sentimentos caóticos me dominavam em uma ânsia pscicótica pela morte perfeita.

Deitei-me na cama com a garrafa e escrevi meu testamento, afinal tinha um filho perdido em Santa Catarina e queria deixar-lhe a privada para que lembrasse a merda que era o seu pai. Quem sabe assim ele ganharia dinheiro pra estudar num colégio particular com a minha venda de livros pós mortem, ou quem sabe a glória de ter o mercado da música aberto pra ele por ser filho de um grande cantor e letrista. Era a melhor solução, iria ajudá-lo muito mais com a minha morte, do que em toda a minha vida até o seguinte momento.

Fiquei lá bebendo e tocando punheta, lembrando de todas as mulheres que comi ao mesmo tempo. Sem querer esporrei no bico da garrafa, mas bebi assim mesmo até o fim, afinal eu ia morrer, e morrer pelado simbolizaria a liberdade que sempre acreditei ser o principal caminho para a realização e os êxitos.

Enquanto o calor começava a esquentar profundamente eu só bebia do meu whisky sem gelo , mas uns filhos da puta se dizendo bombeiros arrombaram a minha porta, mas caralho , eu não queria ser salvo,eu quero a glória que só o fogo pode trazer. Eu gritava:

- Saiam de perto de mim, quero a glória de morrer queimado, eu quero virar churrasco,

hambúrguer, SAIAM DAQUI AGORA!

- O senhor está nervoso, vista-se e vamos embora daqui

Os três negões corriam atrás de mim pelo quarto já se destruindo pelos meus móveis em chamas, (o bom da quitinete é isso, queima rápido e você acha as coisas com mais facilidade) Como a minha garrafa defensiva. Só me utilizei dela uma vez em Santa Catarina pra esfaquear um desgraçado que me tacou merda na rua. Era a hora de usa-la de novo, eu os afastei ameaçando-os com a garrafa e corri pra onde o incêndio estava mais elevado.

Eles tentavam me sensibilizar com palavras imbecis de incentivo ao viver e eu os afastava com o Whisky gritando e bebendo:

- PRA TRÁS, PRA TRÁS.

Nisso chega um verme desgraçado e me dá um tiro na perna eu caio no chão de joelhos, os filhos da puta me rendem, me sedam, me vestem com um roupão branco homossexual que eu tinha e me levam pro hospital. Não pude ver os carros da TV, nem a multidão me ovacionando e ainda por cima estou aqui há doze horas na fila desse hospital porque não possuo plano de saúde.
- Que merda heim !

- Pois é

- Porque você não se mata agora?

- Não haveria glória alguma.

- E se eu te matasse?

- Eu ia adorar, faria isso por mim?

- Sim, mas faça uma procuração doando todos os seus bens para mim.

- Tudo bem

Ao terminar a procuração o enfermeiro me envenenou com uma doze excessiva de VALIUM, que me fez ficar vendo esses arco-íris pro resto da minha eternidade. Porém o que ainda me entristecia era que minha privada se queimara no incêndio e não poderia mais ser dividida entre ele e meu filho. Que azar fudido o deles.

Estar morto tinha um lado bom, o cheiro da sujeira preta das minhas costas e a coceira que ela proporcionava já não me incomodava mais. Era bom, era como ver um jogo entre Fluminense x Vasco na TV.

Monday, February 22, 2010

Esperantu

Ela foi embora.
Com ela se foi a alegria.
A esperança de que um dia, esse caos irá mudar.
Será?
Não vejo. Acho tudo tão distante.
E nem com mil aito falantes ela pode me escutar.
Sei lá, eles quase nunca escutam. Preferem andar sedados com vontade de esquecer da vida.
Quase tudo é ilusão, é difícil ver a verdade, é difícil encontrar algum caminho,que enobreça a minha cabeça, sem que eu me entorpeça, sem que eu me sinta tão sozinho, sem rumo.
Sem vontde de entender. um cidadão de boa vontade, ainda de pouca idadee com vontade de sofrer.
Ela ainda se foi.
Já não alternativas. As pessoas não estão vivas, as pessoas não sabem viver? e você?
Mais um nessa guilhotina, que te prende e te alucina e faz você achar que tá perfeito, mas se você pensar direito. . .
Não. Já não há o pensamento, multidão de covardes, que sabem, estão errados mas deixam como está. Merdas aglutinadas. Ríspida Sociedade. Maus elementos. Seres que não tem luz. Pessoas que nãi curtem a lua , ou as estrelas. No mundo preto e branco.
No mundo agora cinza.
Pessoas como eu, gélidas. Sem assunto.
Sem calor.
Sem iniciativa.
Sem vida.
Que vida?
Ela se foi, com um mundo de saudades, com ifinitas possibidades, desviando sua razão, pra esperança, pros seus sonhos de ainda criança. Rebeldia infinita. Pelo menos o que voce achou que queria. Celebro o fim da alegria e celebro os que se dizem felizes. Que eles sejam boas pessoas. Cegos, surdos e mudos. A morte cerebral coletiva que passa devastando a todos.
Escravos.
Sub-produtos.
Apague a luz.
E tenha uma grande noite.

Saturday, February 13, 2010

A Barca do Sol

Ah o carnaval!
Pessoas suadas, gente bronzeada, confusões nas ruas, multidões de bebados, drogados, fazendo putarias a céu aberto. Que maravilha era ver a alegria dos foliões pulsando e contaminando a todos gerando essa energia colorida de emoção e magia.
Quem me conhece sabe que em dias normais durante os carnavais eu compraria o mais poderoso entorpecente e me trancaria em meu quarto arrancando as espinhas do meu cérebro, mas por força dos meus amigos que sempre me incentivam a sair desse cubículo escuro e fechado , quase caustrofóbico que é a minha vida, resolveram tentar me ajudar esse ano a não ser uma completa derrota.
Eu também queria sentir a alegria das pessoas. Ser, viver sorrir, agir como um débil mental e ficar bebado ouvindo cantigos repetitivos, esbarrando em todo mundo, sendo empurrado, imprensado e pisoteado pelos bombados de 5 metros de altura que tratam as mulheres como um pedaço de acém que você compra no açougue. O pior é que elas gostam disso.
Pensei que minha má sorte terminaria momentaneamente ao saber que duas amigas do Rio Grande do Sul viriam passar o carnaval no rio. Eram meninas legais, umas exessões nesse mundo deprimente onde te chamam de nem e falam pobrema.
E pensei mesmo em me mudar, tentar me divertir com meus amigos Caio e Paulo, afinal eles mereciam isso de tanto me aturar.
Quanto as meninas, no final uma delas acabou ficando no sul pra resolver alguns problemas sérios.
Essa foi a primeira decepção da noite pois a natalia que ficou no sul era uma pessoa incrível.
Inteligente, forte, amiga e sobretudo muito bonita.
Cinquenta por cento do nosso coração ficou preso junto a ela , não por pena e sim por saudade, mas eu ainda estava focado em agir comos os seres humanos normais. Queria ir para um bloco como gente normal. Beber até cair como gente normal, rir de coisas idiotas como gente normal, ficar ensopado de suor fedendo a mijo como gente normal.
Marcamos com a outra Natália do sul no bar da ladeira na Lapa. Esta natália tinha uma aurea linda , querida e de personalidade forte. Descobri conversando pela internet gostava de musica e de fumar um. Tanto que fui me arriscar por um baseado na favela em sua homenagem. Meus amigos diziam que talvez ela gostasse de mim , me davam força pra perguntar isso a ela como gente normal ,mas eu como sempre, me sentia aquele biscoito quebrado da embalagem que você abre e ele se despedaça e cai no chão. Não acreditava muito. Seria praticamente um sonho se ela gostasse de mim, mas como todos os sonhos já imaginava que não passaria de ... mais um sonho perdido, uma ilusão passageira que passa rasgando o teu peito, até você desmaiar com a dor lacinante. Se perguntando:
- Porra, porque eu ainda tento?
Mas eu tentei, infelizmente.
Marcaram comigo as duas e meia da tarde e como habitual ninguém chegou na hora. Fiquei lá , sentado na escada do bar esparando, junto a alguns mendigos que brigavam por um bujãozinho de caninha da roça. Eu também com uma bebida entre os braços os aguardava. Aquela ladeira tinha história pra mim, nunca gostei muito de ficar ali , mas o meu amigo Caio sempre me levava, e naquela tarde de calor em especial eu estava perdido a pensamentos esperançosos. Seria essa a minha chance de sair desse vazio total exalando esse cheiro terroso de terra? Será que pelo menos poderia me lembrar como é sentir algo agradável? Desconfiava que não, mas tinha esperanças. O primeiro a chegar foi o Paulo , meia hora atrasado e por mais triste e por mais que a vida me faltasse, esse cara resgatava em mim sentimentos que ninguém conseguia. Enquanto um tornava tudo complexo ele me mostrava como tudo poderia ser tão simples, tão fácil. Adorava a coregem dele , a iniciativa e o fato de que podia até tornar até um bloco de pedra mais alegre. Sentia até uma ponta de inveja , mas a menina do sul ainda povoava meus pensamentos. Ele chegou e eu sorri. Como a muito tempo não sorria, sinceramente. Me pagou uma cerveja e me forneceu palavras de incentivo. Sempre mostrando o quanto éramos babacas de não aceitar a vida como ela é , deixar as inquietações de lado e agir. Era o que faltava pra mim. Resolvi ainda esperando a menina e o caio que por mais que a insegurança me comesse vorazmente eu ia pelo menos tentar. Mostrar pra mim mesmo que não era um covarde, um bundão. Até porque esse cara tão forte, tão mais esperto e conhecedor das nuances de viver a vida do que eu, me achava uma boa pessoa e também um amigo valioso. Não sei porque, mas cada um tem seus carmas a pagar.
A menina finalmente chegou , fui ficando vermelho, com vergonha , mas a abracei com a força mediante a alegria que senti ao ve-la. Tomamos mais cervas afim de esperar o Caio. Ela estava linda de vestido. Com um olhar belo como uma noite em alto mar. Era fácil eu me perder, e de fato , queria isso . Alguma coisa que mexesse comigo e me fizesse pelo menos sentir vida.
O Paulo já cuidava da vodka com um carinho que só ele sabe dar, Natalia por sua vez trazia dois latões de cerveja e me deu um . Esperamos mais um tempo e o Caio chegou. O cidadão lento mais rápido que eu conheço. A pessoa mais inteligente que conhecia, mas que assim como eu a vida tava abandonando aos poucos. Tinhamos que dar a volta por cima.
Depois de um tempo, já com a trupe formada, rumamos até o Carmelitas. Eu tentava conversar timidamente com a Natalia, o Caio conversava com o Paulo e o Paulo conversava com a vodka. De vez em quando tirava um gole também, afinal a porra do calor fritava meu cérebro , meus sentimentos eram confusos e me faziam mais estarnho que o comum. A vida ao lado do Paulo e do Caio era boa , já conhecia ,mas queria algo novo, pois meu caminho ia ficando cada vez mais restrito e minha vontade se estinguia junto as ladeiras de Santa Tereza. Chegamos ao bloco ,lotado repleto de bebados animados , pessoas fazendo um tipo que só fazem no carnaval. Os bombados chegando em qualquer dragão maçonico que aparecesse, e os dragões rejeitando-os de vem em vez. Afinal nesses ambientes não importa o que é e o que quer. É tudo questão de como você vai parecer para os outros na primeira vez. É um tiro só. Se errar tem que comprar mais belas , e não era fácil de encontrar, pelo menos pra mim , pois o Paulo já cansara de me provar o contrário.
Meus amigos incentivavam-me a falar com Natalia que eu estava afim dela, e no meio daquela multidão de pessoas pulando feito macacos animados, eu resolvi tentar. Disse a ela como me sentia e ela disse que ia pensar.
Após ser esmagado, me voltei a multidão e cometi um erro terrível. Fiquei tentando impressiona-la , agindo como um idiota por diversas vezes, mas não me culpava, eu não estava em mim. Tava sentindo um estranho peso no estomago e era só olhar pra ela que minha mente se dispersava.
Mas tomei coragem e fui de encontro a multidão de macacos saltantes. Depois de quatro dias a merda voltaria com mais força , mas até lá, nós macacos poderíamos viver o que quiséssemos . Acho que o que eu queria era realemnte não se-lo.
Agi como eles por volta e meia. Comentava a beleza feminina com o
Caio , angustiado e sem tato para aquilo como eu. Éramos mais parecidos nisso , mas o Caio era mais centrado, eu era mais louco. Casávamos como o sol e o fogo , sem dúvida um amigo pro resto da vida. Devíamos ter seguido o coneslhos do amigo mais sabio entre nós. O Paulo , outro amigo pra vida inteira nos ensinava a ligar o foda-se ser como a ocasião necessitasse. Qualquer coisa o alcool tava ali pra nos ajudar.
Queria lhes contar mais detalhes sobre o fenótipo do bloco, vocês devem estar curiosos, mas eu não posso. Só consigo pensar em como a aquela falsa diversão ainda me divertia. Amigos. Eles são minha única valvula de escape. As drogas são apenas ilusões, eles são reais. Fícavamos preocupados frequentemente com a Natalia pois só quem conhece e viu a playboizada em ação sabe como os bombados podem ser perigosos. Acho que ela não gostaria de ser obrigada a chupar o pau de um negão suado e rebolativo. Colocando-a entre seus braços sem deixar que tenha escapatória. Ela não viveu a realidade triste do rio, e eu só queria que realmente ela não vivesse.
Chegou ao ponto de eu esquecer meus sentimentos e apenas me empenhar em faze-la se snetir bem.
No meio da procissão, eu já estava com o saco muito mais que cheio. Queriam sair voando dali pro meu quarto e pro meu cd do Som nosso de cada dia. Snegs de biufrais pra mim. E a cada a segundo o drama, a falta de tato, a minha hipocrisia melancólica e estática me desligava do mundo. Forçando muito a barra até pra agradar meus amigos. Apertei um baseado de forma rudícula num guardanapo e ele abriu me fazendo perder toda a erva. Vi a decepção nos olhos da Natália. Afinal só tinha comprado por causa dela. Depois demos mais sorte e um rasta amigo meu apertou um verminoso pra gente, misturado com o meu numa seda de verdade. Ele era uma pessoa de verdade, e eu um arremedo de ser humano.
já pro final da noite a melancolia já me socava a cabeça de forma insuportável.
Ficava rodeando a menina como os espíritos obcessores. Caio ficava introspectivo , era um cara que você não tinha como ler. Sempre imaginei o que ele pensanva ali sozinho. Observando as coisas. Mas nunca consegui, se ele jogasse poker seria imbatível.
O Paulo era realmente fora de série. Matou a Vodka antes que pudesse pensar em beber. Alías esse dia foi um dos poucos onde viajar, sair da realidade que machuca, não era pra mim a prioridade. Fazia palhaçadas com meus amigos, ria de forma sincera, fui feliz por uns momentos. A minha onda do baseado foi das melhores. Me ajudou na sobrevida junto aos macacos alegres. Mas eu ainda queria ir embora. Ainda queria ficar sozninho e viver a única coisa que realmente me torna vivo. A ausencia.
De resto tudo bem pra nós, até que Paulo descobriu que havia sido assaltado sem saber como. A Natalia também havia perdido o celular e ai as coisas ficaram de vez insuportáveis. Paulo berrava palavrões certeiros contra o mundo e a Natália apenas concordava com ele. Ainda éramos amigos e toda alegria sincera que havia em mim. Esse pouquinho de vida que me restava dei pra eles.
Afinal mereciam. Muito mais do que eu.
Descemos a ladeira e chegamos até a lapa afim de curtir o fim da noite. O Paulo com raiva, dando socos na parede, não quis mais nos acompanhar e foi para casa.
A Natália mesmo com o ocorrido continuava linda e feliz. O Caio ainda tentava sorrir e continuava misterioso demais.
Eu?
Os segui pra onde iam , mas não estava mais alí. Havia me desligado da realidade a apenas fazia o necessário pra continuar caminhando , com o coração despedaçado, a mente sem funcionar e tentando ser bom , de vez em quando.
Viva o Carnaval! Viva a alegria do povo! E todas as outras mazelas, que reunidas nos fazem viver como palhaços. Um livro que voce compra pela capa. Um disco que só conhece pelo nome. Ninnguém escuta. Ninguém vê. E eu sou mais um. Sem importancia. Apenas caminhando na orda de zumbis. Felizes!

(Esse texto é dedicado a Natalia. Eu sei que a barra ta pesada, mas avida e essa merda mesmo. Nós tentamos , rir, chorar viver... Mas no fim , pelo menos pra mim , só valem esses pequenos momentos , onde os amigos nos retiram da privada antes de puxarem a descarga. Adoro você e até o fim da nossa querida . hipócrita e idiota festa carnavalesca, escreverei a ti. Não pra te homenagear ou faze-la sentir-se melhor. E sim porque você merece. Merece Muito mais que isso.)

Wednesday, February 03, 2010

Mutantes

05:05 da manhã. Um horário coinscinde e a aflição jamais me solta. Não existe nada que eu possa fazer. Escrever é bom , mas antes das palavras, duras, tristes e as vezes sem sentido, eu estava me destruindo um pouco mais. Aquele cigarro já era e fiz a pior coisa que um ser estranho, sozinho e sem lugar como eu poderia fazer, procurei algo sobre minhas ex namoradas na famigerada internet. Um pequeno conselho.
Se for terminar um namoro termine de vez. Tente esquecer que a pessoa existe. Tome o mais forte entorpecente e apague do seu cérebro o nome e a fisionomia da pessoa. Vai ficar maluco de qualquer jeito.
Eu à vi. Num site de reacionamentos. Uma bonita foto. Ela está bem, trabalhando com artes, fazendo o que sempre sonhou.
Eu?
Estou as 5 e 12 da manhã escrevendo neste blog aguardando o amanhecer. Tenho amanhã uma entrevista para ser telemarketing. Precisava acordar as oito horas, mas angústia tirou o meu sono , meus sonhos e a minha vida. Restaram-me amigos que me aturam e papos de bebados em algum boteco fedorento. Nem meu time consegue ganhar mais.
Alías time que eu a ensinei a gostar.
Havia estragado tudo como sempre. Havia deixado ela me moldar e fazer de mim um retrato do que ela queria que eu fosse.
Só que um retrato é apenas uma reprodução da realidade.
Eu nunca viraria isso ou aquilo. Nasci assim, um prato de comida que de tão esquecido é retirado dos cardápios. Porém a culpa é minha. Perigoso é gostar de alguém de tal forma. Você fica cego, acha que tudo gira em torno de você e dela. Tenta fazer o melhor possível, ser bom , honesto, amoroso. . .
Babaquice. A maioria dos seres humanos gostam de quem os pisoteiam. De quem os trata como lixo. De quem goza na boca e dá tapa na cara (vide os nossos queridos governantes reeleitos).
Mas por um lado fiquei feliz. Ela estava bem, ela estava feliz, me sacaneou de todas as maneiras possíveis, me fez mais fraco que uma pluma caindo em um chão de ferro.
E se foi. E eu ainda sorria ao ver aquela bonita foto. Pensava como seria bom ve-la se arrastando até a mim. Pedindo perdão e me pedindo pra aceita-la de volta. Me dizendo que me amava.
Pra depois dar tudo errado de novo e eu sofrer ainda mais.
Outro conselho. Nunca volte se tiver terminado com nenhuma mulher que já foi terrívelmente apaixonado. Nunca dá certo , vocês descobrirão mentiras e putarias de um do outro, que não sabiam quando estavam juntos. Ou novas mentiras e putarias. Todos mentem e gostam de uma boa putaria. Somos humanos, malditos humanos.
Os amigos meu chapa. Eles são a solução. Tenho amigos que já sacaneei inúmeras vezes e que me perdoaram. Já fui sacaneado também, já fui chato e inconveniente. Mas eles sempre estavam lá, mesmo sem ter nada haver com a história , com as mentiras e com as putarias. Tem as suas merdas e ainda aturam as suas. E se seu único amigo for DEUS, então é mais maluco do que eu.
E continuo aqui. O idiota mais pensativo de todos. Devo ser o mais ignorante dos pensadores, diferente deles não evoluo. Não me interessa mais aprender. Eu estagno
e remoo o passado me cortando com laminas finas.
Pensar nela dói pra caralho. Estar com ela doía mais ainda , mas era melhor que esse marasmo inconsciente.
Ultimo conselho.
Ignore qualquer conselho que eu queira te dar.